Desertificação…

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Nos últimos anos temos assistido no nosso Concelho a uma
constante saída de Jovens, fluxo esse que tem fustigado as nossas vilas e as
nossas aldeias. A procura de melhores condições de trabalho e de habitações a
custos inferiores aos verificados no nosso Concelho, são as principais razões
que estão na origem desta realidade. Não restam dúvidas que um Concelho sem os
seus Jovens está à partida condenado a uma estagnação e inércia, que em nada
contribuí para o seu desenvolvimento sustentado.

Entendo que os anteriores Executivos Municipais são em
grande parte culpados por esta situação, pois na minha opinião pouco ou nada
fizeram para contrariar esta realidade, senão vejamos: os Parques Industriais
demoraram décadas a sair do papel e do discurso daqueles que nos governaram,
traduzindo-se esta triste realidade em custos que provavelmente demorarão
outras tantas décadas a serem reparados. Não me resta a menor dúvida que este
fluxo de Jovens para fora do nosso Concelho, terá consequências negativas no
futuro, pois os filhos desses Jovens não contribuirão para o aumento da Taxa de
Natalidade do Município de Penacova, mas sim para o Município de Coimbra, de
Vila Nova de Poiares, ou de outros Concelho limítrofes a Penacova. Isto é uma
realidade que me incomoda, que me deixa bastante apreensivo e que sem dúvida
merece ser tratada com especial empenho e dedicação por quem actualmente nos
governa. É sobretudo o futuro de Penacova que está em jogo.

Na minha perspectiva, e desculpem se não concordarem, é
essencial apostar em dois grandes vectores para estancar este flagelo social,
que é a aposta no desenvolvimento empresarial do Concelho, captando empresas
para os espaços capazes de albergar as mesmas, mas sobretudo pensar e delinear
uma Zona Industrial de referência, com uma grande capacidade de atracção, onde
sejam disponibilizados lotes de terreno a custos controlados. Na minha opinião
a Zona Industrial da Alagoa tem muitas potencialidades mas parece-me que desde
o inicio o projecto não foi bem gerido. Desde logo houve alguns contratempos
que são do conhecimento de todos que vieram atrasar a execução da obra. Neste
momento é essencial proceder ao acabamento da Zona Industrial da Alagoa e dos
Covais, e que se desenvolvam todos os esforços para que estas sejam suficientemente
atractivas. Mas não devemos ter ilusões que estas Zonas Industriais não vêem
colmatar o deficit que há neste capítulo no Concelho de Penacova. Há uma
emergente necessidade de criar uma Zonas Industrial moderna, com espaço para as
necessidades das Empresas. 
Estou certo que os quinhentos metros quadrados de área de
implantação, como são oferecidos aos empresários no Parque Industrial da
Alagoa, não serão suficientes para uma grande empresa ou até mesmo uma média,
que tenha a pretensão de criar muitos postos de trabalho.

Após a conclusão dos trabalhos urge a realização de um
estudo de sustentabilidade com vista à possibilidade de aumentar a Zona
Industrial da Alagoa para que este espaço seja capaz de oferecer as melhores
condições às Empresas.

O outro vector que entendo ser fundamental para fazer face
à desertificação é a Habitação Jovem. Colmatando as dificuldades que os Jovens
sentem na construção da sua habitação, há que dar um sinal de incentivo, e
provavelmente diminuir ou até mesmo isentar, os Jovens no que diz respeito às
licenças de construção da sua habitação. Parece-me que o Executivo está
desperto para esta realidade, e não será negligente. Mas neste capítulo não
queria deixar de partilhar convosco uma realidade que resulta da desertificação
do nosso Concelho, que se prende com o facto dos centros históricos das três
vilas do Concelho estarem a ficar despovoados, ou melhor, desabitados. Não
serão os Jovens capazes de dar nova vida a estas nobres vilas?! Não serão os
Jovens capazes de emprestar a sua irreverência e dinamismo ao serviço da sua
Terra? Não serão os Jovens a par do património natural e cultural, um precioso
diamante com necessidade de ser limado? Não estamos a dar um pontapé numa pedra
que poderá ser preciosa? A mim parece-me que sim.

Fiquei muito satisfeito quando verifiquei no Orçamento
Municipal para o ano de dois mil e onze, uma verba para a criação do Conselho
Municipal de Juventude. Trata-se de uma velha luta de uma Juventude Partidária,
neste caso da Juventude Socialista, que constata agora que as suas
revindicações foram atendidas. Entendo que este Órgão Autárquico, apesar de ser
apenas consultivo, vem dar voz aos Jovens, contribuindo para a inclusão dos
mesmos na vida política do Concelho, o que percepciono ser bastante importante.
Estou certo que todos ficam a ganhar.
Pedro Alpoim

1 COMENTÁRIO

  1. A desertificação das aldeias do nosso concelho não começou só agora. Quando os meus pais se fixaram em terras de Penacova, por volta dos anos de 1986/7, mais propriamente no lugar de Chelinho, após uma curta passagem (2 anos e pouco) pelo Porto da Raiva, já havia quem abandonava estas aldeias, em busca de melhores condições de vida.
    Há já uns 10 anitos, que trabalho em Penacova, na área da construção civil. São muitos os projectos que fiz e obras que dirigi no nosso concelho e também foi em Chelo que construi a minha moradia. Mas nestes anos vi muito amigos saírem para Coimbra e tenho dito que quando começarem a apgar o IMI, das duas uma: ou pagam IMI, ou vão de férias!
    Isto porque a perspectuva que tinham na data de irem para a cidade é que estão perto de tudo! E eu pergunto: e Penacova está assim tão longe de Coimbra?
    São opções de vida. Escolhas pessoais. Não devo criticar. Temos que aceitar que, Penacova não pode, nem consegue ter emprego para todos os Penacovenses, pois não há concelho nenhum que o consiga ter. E ainda podemos fazer a pergunta ao contrário: quantas pessoas que habitam em outros concelhos, vêm trabalhar para Penacova?