JUSTIÇA – Jovem burlão queria-se “igualar” aos amigos com carros novos

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Jovem, julgado ontem em Penacova, assumiu todos os crimes ao
Tribunal, numa sessão que causaria uma crise de epilepsia à mãe, visivelmente
agastada

Um rapaz, acusado de
cinco crimes de burla, e outros tantos de falsificação de documentos, pela
compra de veículos automóveis em diversos stands, assumiu ontem, perante o
colectivo que o julgava, no Tribunal Judicial de Penacova, todos os actos que
lhe eram imputados pela acusação do Ministério Público.
O jovem, que completou
26 anos em Dezembro de 2010, chegou atrasado, já depois de terem sido ouvidos
os seus pais e dois dos vendedores, confirmando a veracidade dos factos
constantes na acusação.
As palavras do jovem
levaram a juíza presidente a lavrar um despacho onde, perante a “confissão
integral e sem reservas”, não se considerou necessária «a produção de mais
prova».
O facto do arguido ter
confessado os crimes, dando a explicação de que a sua motivação, em 2006, foi
«infantil», não impediu a presidente do colectivo de lhe passar um “raspanete”,
principalmente quando o confesso autor dos crimes manifestou intenção de
reparar os pais, recorrendo a um trabalho em part-time.
Com efeito, o rapaz
tinha emprego, como padeiro, na altura em que efectuou a compra dos cinco
carros, recorrendo à falsificação das assinaturas dos pais.
Em seu nome, e dando os
progenitores como avalistas, adquiriu, em Julho de 2006,  um Opel Corsa,
por 8.500 euros, num stand situado na Ponte Velha, na Estrada da Beira, no
concelho da Lousã.
Seria um negócio normal,
não tivessem sido falsificadas as assinaturas dos avalistas, facto que se
repetiu, por mais quatro vezes, até Dezembro do mesmo ano, em diversos pontos
de venda de automóveis usados da região, desde o Monte Formoso (Coimbra), a
Arganil e S. Pedro de Alva (Penacova).
No total, trata-se de
cerca de 90 mil euros em créditos, sendo que, na maioria das ocasiões, o
dinheiro pedido era superior ao valor do veículos. O jovem explicou ao tribunal
que, a sequência de compras teve como motivação a obtenção deste tipo de 
«extras», porque «estava sem dinheiro».
“Só parei porque o meu
pai descobriu”
O rapaz não teve
problemas em dizer que avançou para mais negócios nesse sentido, «porque não
tinha dinheiro», garantindo também que, só «parei no quinto, porque o meu pai
descobriu».
Apesar de ser muito
jovem, em 2006, na altura dos crimes, já tinha adquirido um apartamento, a
crédito, sendo que, na maior parte da vezes, as prestações acabariam por ser
pagas pelos pais, por incumprimento do jovem.
O pai do rapaz,
motorista dos transportes internacionais, disse ontem ao tribunal que só teve
conhecimento da situação a 5 de Dezembro de 2006, quando, numa viagem de
trabalho, conferiu o extracto bancário e verificou que lhe tinha sido retirada
uma quantia de dinheiro de que não estava à espera.
Na altura, disse ontem,
o jovem, depois de confrontado, terá assumido duas das situações, explicando
que queria ter carros novos, como os amigos, mas, só depois de começarem a
chegar as penhoras é que o pai se terá apercebido da dimensão do problema.
Neste momento, o pai do
arguido tem quatro carros em casa, a que se soma o primeiro a ser comprado, o
mais barato, por sinal, retido numa oficina de Vila Nova de Poiares, onde falta
pagar a reparação efectuada.
O homem, visivelmente
agastado, disse que tentou entregar as viaturas às instituições de crédito, mas
estas «disseram-me que não são stands», revelando não ter estranhado a mudança
frequente de cerro, por parte do filho, uma vez que este garantia pertencerem
ao patrão, onde dizia trabalhar em part-time.
Na verdade, foi ontem
revelado, os veículos estavam estacionados perto de casa do arguido, que só os
entregou ao pai, depois de ter sido confrontado com as ilegalidades cometidas.
Mãe do arguido teve de
ser assistida pelos bombeiros – Comoção
foi demais para a mãe do arguido
A mãe do jovem que ontem
foi julgado sofre de epilepsia, doença que se manifestaria na altura das
alegações finais.
A mulher, que não
prestou declarações, por ter esse direito, mas deu a entender que corroborava
as palavras do marido. Não aguentaria a pressão, sofrendo as convulsões
próprias da patologia de que padece.
O Tribunal de Penacova
teve necessidade de chamar os bombeiros, que chegaram a tempo de assistir a uma
segunda crise. | José Carlos
Salgueiro