OPINIÃO – Há coisas para as quais nunca é tarde

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Muitas vezes me tenho interrogado acerca da origem dos nomes que identificam algumas das ruas da nossa vila. Apesar disso, não me sinto sequer legitimado a questionar o porquê da sua atribuição, até porque, quando alguém tem a oportunidade de ver o seu nome atribuído a uma rua, sentir-se-á orgulhoso, quanto mais não seja por ver a importância da sua obra reconhecida e imortalizada. É esse aliás o critério que eu considero essencial para que alguém possa ter o privilégio de tão importante reconhecimento.
Recentemente, foram atribuídos a três ruas da nossa terra o nome de três pessoas, que eu ainda me recordo de ter conhecido, algumas vagamente é certo, mas  cuja “passagem” por esta vida, nesta vila, justificou essa atitude por parte de quem reconheceu na sua obra, razões suficientes para serem postumamente homenageadas.
De facto, Artur Coimbra (pai), Homero Pimentel e João Gomes, foram personalidades a quem esta terra muito deve e cuja dedicação muito contribuiu para melhorar a vida das suas gentes. Por isso mesmo, foi de uma enorme generosidade e com grande espírito de reconhecimento, que os seus nomes passaram a integrar a toponímia da terra pela qual tão desinteressadamente lutaram.
Mas outros há, a quem Penacova poderá, e deverá, prestar a sua homenagem, seja dando o seu nome a uma das suas ruas, seja a algum dos seus edifícios, ou a partes deles que necessitem de serem identificadas, não pela sua localização, ou serviço que prestam, mas principalmente pela importância que encerram no desenvolvimento da localidade onde se encontram.
Lembro-me, por exemplo, de três personalidades da nossa terra, infelizmente já desaparecidas mas que, pela maneira como se destacaram e pela forma como a ela se dedicaram, não podem ser esquecidos, sob pena de estarmos a contribuir para um grave hiato no panorama cultural de Penacova, já de si bastante aquém, tanto das expectativas, como das necessidades.
Refiro-me concretamente a Castro Pita, Jorge Costa e Alípio Borges. A importância com que cada um, à sua maneira, contribuiu é de tal forma rica que, se hoje podemos dizer que há tradição em Penacova, muito a eles ela se deve.
Estruturas como o parque de campismo do Reconquinho, associações como os Bombeiros Voluntários, o rancho folclórico, o teatro e a música, às quais chamamos nossas, com as quais nos identificamos e que hoje ainda preservamos, devem-se, em grande parte, àquelas personalidades, cujo percurso na nossa terra, só trouxe riqueza, destaque e auto-estima.
Geralmente, há uma tendência para fazer coincidir essas, e outras, manifestações de agradecimento, com os momentos mais significativos das localidades, como por exemplo, os feriados municipais ou os aniversários dos seus ilustres habitantes. Foi essa aliás a posição adoptada por Maurício Marques, quando decidiu não voltar a candidatar-se à presidência do município.
Dessa forma, e como se avizinham algumas inaugurações, e outras concerteza mais tarde virão, não seria despiciendo considerar como possível de homenagear, com um nobre gesto de agradecimento, qualquer um daqueles penacovenses que, de forma altruísta, com prejuízo para a própria família e sem esperar nada mais em troca, que não fosse a satisfação daqueles a que se dirigiram, projectaram e engrandeceram esta terra que muito teria perdido se por ela não tivessem passado.
É extremamente gratificante saber que os talentos da nossa terra, aqueles que a ela tudo deram para que se destacasse, sejam recordados por aqueles que têm a obrigação de zelar pelo seu legado, quanto mais não seja para que os seus familiares e aqueles que com eles viveram todas as emoções mais de perto, sintam que todo o esforço e dedicação por eles demonstrados foram, finalmente, reconhecidos e que esse reconhecimento irá perdurar muito para além da sua curta existência.
Pedro Viseu

2 COMENTÁRIOS

  1. Eu também comungo da mesma opinião. É o minímo que se pode fazer para saldar a eterna divída que Penacova tem para com ele, se bem que, tanto o engº Castro Pita, como o saudoso Jorge Costa, deram também um excelente contribuito para o enriquecimento cultural da nossa terra. Mas, claro, trata-se da minha opinião e todos eles merecem, de uma ou de outra maneira, serem reconhecidos pela população de Penacova.