Pergunta sobre a construção de uma mini-hídrica na zona do Caneiro, dirigida ao Presidente da Assembleia da República

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O Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português teve conhecimento do anúncio da construção de uma mini-hídrica na zona do Caneiro, Concelho de Penacova.

Esta decisão terá sido tomada sem qualquer discussão pública, sem ouvir os principais interessados – populações, empresas e utilizadores do rio, associações do ambiente, autarquias – podendo representar consequências muito negativas para o Rio Mondego.
Este projecto condicionará o desenvolvimento deste concelho no aspecto turístico, e colocará em causa a importante actividade de animação turística ligada à canoagem, que actualmente traz ao concelho de Penacova turista e atletas.
Este projecto terá também impactos a nível ambiental, colocando em causa a fauna do rio e todo o investimento que está a ser implementado com a construção da escada de peixe.
Acresce que este é apenas mais um dos muitos ataques que o Rio Mondego tem vindo a sofrer ao longo dos anos: a extracção desenfreada das areias e a construção de açudes (alguns sem qualquer utilidade e sem salvaguarda das condições para a transposição da fauna e das actividades turísticas e desportivas) são outros aspectos graves.
Todos estes ataques mereceram a contestação das populações, dos Amigos do Mondego, da Confraria da Lampreia, dos Restaurantes e de várias forças vivas empenhadas na defesa do rio, assim como têm vindo a motivar intervenções do PCP tanto a nível local, como na Assembleia da República.
É fundamental a construção da escada de peixe no açude-ponte de Coimbra, que permitiria a subida das espécies piscícolas, entre elas a lampreia e o sável, preciosidades da nossa gastronomia e alavanca do desenvolvimento turístico do nosso concelho. É muito grave que numa altura, em que se iniciava o equacionar de medidas de correcção ou eliminação obstáculos à migração da fauna e à actividade  turística surja um novo açude – a juntar ao da Rebordosa/Louredo – que estrangulará o rio e impedirá a passagem normal das canoas.

Ao abrigo do disposto na alínea d) do Artigo 156.º da Constituição da República Portuguesa e em aplicação da alínea d), do n.º 1 do artigo 4.º do Regimento da Assembleia da República, solicitamos ao Governo, que por intermédio Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território, nos sejam prestados os seguintes esclarecimentos:
  1. O Governo tem conhecimento desta situação?  
  2. Como explica um projecto que coloca em causa o investimento de milhões de euros que está a ser feito na escada de peixe da ponte/açude em Coimbra? 
  3. Existe algum estudo sobre o impacto ambiental e económico desta obra imposta à comunidade local?
A deputada Rita Rato


1 COMENTÁRIO

  1. Nasci, cresci, trabalho e vivo em Penacova e por conseguinte sinto-me na obrigação de transmitir a minha consternação com a construção da mini-hídrica na zona do Caneiro que, estranhamente, ainda não foi comentada pelo Partido Socialista, actual política do executivo camarário, silêncio esse que não se aceita, uma vez que muitas das pessoas que trabalham na referida entidade, também cá nasceram, cresceram e trabalham, é uma pena, até parece que não lhes é importante o turismo para Penacova?
    Entristece-me saber que as descidas do rio em kayak ou canoa poderão ter os dias contados, e,
    mais grave ainda, é não voltar a olhar para a garça e ter tempo para tirar uma fotografia!