Amigos do Vale do Mondego

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Em Novembro do passado ano, alertei aqui para a necessidade serem tomadas medidas que visassem proteger o Mondego da construção de mais obstáculos à sua normal progressão. No caso concreto, referia-me à projectada construção de uma mini-hídrica na zona do Caneiro.

Nos 4 meses que se seguiram a esse alerta, muitas foram as posições tomadas pelos mais variados sectores da sociedade. Desde posições públicas protagonizadas pela quase totalidade dos agentes políticos com representação concelhia, até às empresas que do Mondego tiram parte dos seus lucros, passando pelas associações. Todos se levantaram contra a possibilidade vir a ser construída uma infra-estrutura com a dimensão da que se encontra projectada, tanto mais que se trata de uma zona do rio ainda considerada como quase livre da intervenção do ser humano e, por isso mesmo, digna de ser preservada e acarinhada.
Na passada semana, foi criado um movimento cívico designado por “Plataforma Mondego Vivo”. Constituída por 25 entidades e por um grupo de cidadãos representados pela União Popular da Rebordosa, tem como objectivo principal “manter o Mondego livre, sem obstáculos artificiais ou mini-hídricas entre Penacova e Coimbra”
Para além do objectivo empresarial com que alguns dos protagonistas do Movimento se movem, afectados que serão com o fim da possibilidade de continuarem a desenvolver a sua actividade no Mondego, durante o Verão, outros há que apenas pretendem preservar a sua beleza e diversidade, para assim as transmitirem aos seus descendentes, e a quem nos visita, e assim poderem demonstrar-lhes que ainda é possível impedir o avanço de um hipotético progresso, delineado nos gabinetes de quem, provavelmente, nunca teve o privilégio de poder usufruir da vantagem de viver junto a um curso de água com a importância e a dimensão do Mondego.
Perante todo este envolvimento da sociedade civil, e não só, à volta de um assunto que a todos respeita, vejo com agrado o compromisso assumido na defesa de um património comum, cuja preservação só nos trará benefícios. Tranquiliza-me o facto de saber que o Mondego pode contar com a população que sempre dele usufruiu, para o proteger dos avanços, tantas vezes insensatos, que o homem, no seu desejo colocar a natureza ao seu serviço, tenta levar por diante.
Já não me agrada tanto, que os principais protagonistas desse Movimento, aqueles cuja indignação melhor se faz notar, são os que mais lucros obtêm com a exploração dos recursos do Mondego e, quiçá, aqueles que menos proveito trazem ao concelho de Penacova. Contudo, é de louvar a habilidade com que souberam colocar do seu lado, todos aqueles que se sentem moralmente obrigados a participarem com eles nesta luta pela preservação do maior rio exclusivamente português.
Desejo sinceramente que o Mondego vença esta batalha, que certamente não será a única. Espero que todo o esforço encetado pelos mais indignados, surta o efeito desejado e que os futuros lucros dessas empresas, sejam mais bem aplicados no concelho onde são obtidos, se possível pelas autarquias responsáveis pela gestão das actividades empresariais nele desenvolvidas, e sempre em prol das suas populações.

Para constar, registe-se a criação de um grupo do facebook, denominado “Amigos do Vale do Mondego”, ao qual, todos os que se identificam com esta causa, podem aderir por forma a criar um espaço que contribua para a discussão, divulgação e promoção das belezas de tão magnífico rio e, fundamentalmente, para a sua preservação.

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