MINI-HIDRÍCA – Rebordosa reage com revolta e indignação

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«O que vai ser da minha vida?»  A pergunta foi feita por um habitante da localidade de Rebordosa, que vai ficar com a casa parcialmente inundada, caso o projecto de construção da mini-hídrica na Ponte do Caneiro avance. Mas foi apenas uma entre muitas, colocadas na sessão de esclarecimento que a Plataforma Mondego Vivo promoveu naquela aldeia do concelho de Penacova, situada junto ao rio. O primeiro de vários encontros que aquela organização pretende realizar, com o objectivo de esclarecer as populações relativamente ao impacto deste projecto.

Nesta primeira sessão, que, de acordo com a Plataforma Mondego Vivo, contou com a presença de cerca de uma centena de populares, o registo foi de indignação e revolta. «E quando voltar a acontecer uma cheia como a de 2001?», perguntou outro habitante, lembrando que, mesmo sem «este paredão de 10 metros» «todos sabemos onde chegou o nível da água». Por isso, foram unânimes em manifestar inteira disponibilidade «para participar em todas as formas de luta», que poderão passar, afiançam os responsáveis pela Plataforma, «pelo boicote às próximas eleições legislativas». «Estamos abertos a todas as formas de luta», asseguram os organizadores do encontro e habitantes da Rebordosa, garantindo que «apenas um dado temos como certo: não deixaremos construir a mini-hídrica no rio Mondego. Nunca!».

Dar a conhecer os «fortes impactos ambientais, económicos e sociais» decorrentes da construção da mini-hídrica foi o principal objectivo desta sessão de esclarecimento, que levou aos habitantes da Rebordosa uma dose  significativa de inquietação. Com efeito, os reflexos serão inúmeros e a destruição também. «A sede da União Popular da Rebordosa irá ficar submersa», o mesmo acontecendo com o campo adjacente, «onde foram feitos avultados investimentos nos últimos anos». Mas estes são apenas exemplos apontados pelo movimento que coordena a contestação. Há outros investimentos e equipamentos em risco. A «ponte do Louredo, que liga Penacova a Vila Nova de Poiares ficará submersa», avança a Plataforma, adiantando que o «açude, construído há três anos nesta zona, ficará submerso» e o «avultado investimento da Águas do Mondego na captação de água da Ronqueira para abastecimento público» parece estar, adianta, em risco, da mesma forma que vão ficar alagados os terrenos, que actualmente constituem uma «fonte de rendimento e de produção familiar muito importante».

E daqui a 50 anos?
Mas se estes são os impactos imediatos, de acordo com a Plataforma Mondego Vivo, outros há que importa ter em conta, perante o que a organização – que reúne populações ribeirinhas, empresários, autarquias, colectividades e associações – considera como «um empreendimento inútil para a região», «decidido a três dias do final do ano, para reduzir o défice orçamental do Estado». Trata-se, assegura, «de uma decisão tomada para produzir efeitos num determinado momento, mas que irá vigorar e afectar a região durante cerca de 50 anos», (período da concessão). «Daqui a 50 anos a fonte produtora de energia dominante será a hidroeléctrica?», questiona a Plataforma. Mas se o interesse é, efectivamente, a produção hidroeléctrica, «porque não rentabilizar as barragens da Raiva, Aguieira, Fronhas e Açude-Ponte em Coimbra», questiona ainda, lembrando, em alternativa, a exploração de energia eólica nas serras. Ainda relativamente a perguntas sem resposta, questiona «porquê a escolha deste local?», tendo em conta que se trata do «único troço livre do rio Mondego e local de desova da lampreia».

Próxima sessão na Foz do Caneiro
As sessões de esclarecimento promovidas pela Plataforma Mondego Vivo, envolvendo as populações ribeirinhas, vão continuar e para o próximo dia 8 de Abril, às 21h00, está marcada mais uma, a segunda, na aldeia de Foz do Caneiro, precisamente o local onde está prevista a construção da mini-hídrica. O encontro está marcado para a sede do grupo desportivo local.

Originalmente publicado aqui