A melhor solução

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Ainda que, em tese, pudesse concordar com o António Luís, não creio que, no caso concreto da construção do estacionamento subterrâneo em Penacova, seja uma “vaidade das elites” do nosso concelho, a sua construção.

Por volta da década de 50 do século passado, Penacova foi uma referência turística no distrito e até no país. Eram inúmeros aqueles que a visitavam, fosse pela simples curiosidade de poder ver “in loco” uma das mais bonitas vilas do nosso Portugal, ou tão somente para aproveitar a conhecida pureza dos seu ares.
Tudo isso foi suplantado pela modernidade crescente das cidades e pela atracção que provocavam naqueles que, ao fim de muitos anos, tinham a possibilidade de trocar a pacatez da interioridade pela magnificência da cidade. Esse foi aliás, o grande inimigo das localidades que, tal como Penacova, se poderiam considerar mais arredadas desse novo e sedutor progresso.
Hoje, claro, com o desenrolar das coisas, com o ritmo da vida que levamos e pela necessidade, cada vez mais premente, que temos em nos “desligarmos” das inúmeras solicitações a que estamos sujeitos no nosso dia-a-dia, faz-nos repensar as nossas preferências e coloca-nos perante a necessidade de irmos ao encontro das nossas origens, percurso que, invariavelmente nos conduz a uma tranquilidade só possível de encontrar nessas terras que, ainda assim, conseguem preservar alguma dessa interioridade.
Todas as localidades sem excepção, procuraram tomar medidas que permitissem controlar e contornar esse cada vez mais presente problema. Penacova, como é óbvio, não fugiu à regra. A primeira “ideia” concretizavel, surgiu durante a governação de Maurício Marques e situava-se poucos metros abaixo da actual solução. Lembro-me que a principal preocupação de então, se prendia com o facto de devolver à vila de Penacova, alguma da beleza de outrora, permitindo recuperar os espaços verdes e de lazer que foram sacrificados pela emergente necessidade de criar zonas onde estacionar a novidade.
A decisão de construir um parque de estacionamento subterrâneo, não no centro da vila, e muito menos no seu centro histórico, mas em Penacova, próximo da sua praça central, resultará da necessidade que, todas as vilas e cidades do país, têm em gerir da melhor forma, o peso criado com o rápido e desmesurado crescimento do parque automóvel.
Como penacovense que sou, choca-me ver a minha terra rendida à ditadura do automóvel, sem que, para além da necessidade de os “arrumar”, nada surja em alternativa. O projecto da autarquia tem, por isso, uma dupla vantagem. A de tirar o automóvel da zona da chegada a Penacova, como também a de devolver um espaço que outrora constituiu o orgulho de todos os penacovenses.
Por tudo isso, e ainda por achar que o futuro parque de estacionamento de Penacova, pouco irá servir o António Luís, tendo em conta a distância, higiénica bem sei, a que se encontra, não creio que a sua opinião indignada passe disso mesmo e constitua um forte impedimento para a construção desta ou de outra obra prevista para o nosso concelho.

3 COMENTÁRIOS

  1. Meu caro amigo Pedro!

    Ora bem, cumpre-me esclarecer alguns pontos do teu texto, relativamente ao que escrevi no HDT.
    -Desejo ardentemente estar enganado quando penso que o parque previsto não estando no centro da vila, está a poucos metros do centro. E em Penacova, poucos metros são mesmo poucos metros…
    – Não disse em nenhuma passagem do meu texto que defendo a lataria com rodas que pacatamente preenche o Largo do Terreiro.
    – Quando digo que sou contra a construção do estacionamento no centro da vila, quero com isso dizer que ele (centro) vai continuar pejado de carros, pouco mudando face à actualidade.
    Conheço bem Óbidos, por exemplo e não existe nenhum estacionamento subterrâneo nem no centro nem perto dele. E olha que em matéria de turismo e gente que demanda a vila, Óbidos está anos-luz à frente de Penacova…
    – Bem sei que a orografia de Penacova não ajuda, mas acho que deveria ser equacionada uma solução um pouco mais ambiciosa no número de lugares e mais afastada do centro para, tal como dizes e bem, o devolver aos cidadãos.
    De resto, não me julgo ninguém ao ponto de, cito-te: «pouco irá servir o António Luís, tendo em conta a distância, higiénica bem sei, a que se encontra, não creio que a sua opinião indignada passe disso mesmo e constitua um forte impedimento para a construção desta ou de outra obra prevista para o nosso concelho.»
    De resto, meu amigo Pedro, a minha opinião não é indignada e tenho a absoluta noção que vale um pingo de chuva num dia de verão, ou seja, vale nada. E como o povo diz, vozes de burro não chegam ao céu!
    Contudo, desassombradamente, partilhei-a com os que me lêem tendo noção exacta – que aliás refiro – que no mínimo, será ridicularizada por ser "não alinhada" com o senso comum reinante.
    Agradeço a importância e destaque que lhe deste, mas meu amigo, não passo de um simples paisano.
    Há ainda uma expressão que convém esclarecer: há elites em todas as terras – políticas e económicas – e sim, algumas delas, não todas, não escondem vaidades.
    Sendo uma visão crítica meramente pessoal, tem, mais uma vez, o valor que lhe quiserem dar.
    Repito meu amigo. Eu sou nada e as minhas opiniões , boas ou más, apenas me vinculam a mim e claro, respondo por elas.

    Obrigado.
    Abraço.
    António Luís