Não há fartura que não dê em miséria

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Passadas que foram as Festas do Município, as quais, com relativo sucesso, terão conseguido alegrar os penacovenses, eis que chegou o momento de continuarmos todos a dar o nosso contributo para manter Penacova na senda do progresso. Claro que ninguém melhor do que o executivo saberá traçar as linhas com que esse progresso se há-de revelar.

Neste momento, Penacova goza de alguma oferta cultural, ou não tivesse sido recentemente inaugurado o seu Centro Cultural. De acordo com aquilo que me vai sendo dado a conhecer, tal oferta estará tendencialmente direccionada para os mais e os menos jovens, população que os responsáveis pelo pelouro da cultura do município saberão estar mais disponível para acolher as iniciativas por eles promovidas, pois os outros, aqueles que fazem parte da população activa, não terão assim tanto tempo para poderem desfrutarem, durante a semana, dessas e de outras ofertas culturais. A acrescentar à oferta já existente espera-se, para breve, a construção de um outro Centro no edifício actualmente ocupado com o Tribunal da Comarca, que terá como função albergar as artes e a cultura do município.

Para quê tanto edifício para a cultura, se ela já é tão pouca para um só, quanto mais para dois, perguntarão alguns. De facto, à luz das politicas de contenção que o nosso país atravessa, à qual não será alheia a política do nosso município, é fácil verificar que a opção de criar dois espaços culturais onde já existe um com capacidade para albergar muito mais cultura do que aquela que neste momento acolhe será, no mínimo um exagero, tanto mais que há bem pouco tempo foi inaugurado um outro espaço, também ele cultural, com o objectivo de nele fixar os artesãos. De todo o modo, e não esquecendo aquele provérbio, segundo o qual, “não há fartura que não dê em miséria”, constata-se que Penacova passou, em matéria de cultura, dos oito para os oitenta.

Perante esta realidade, espero muito sinceramente que a necessidade demonstrada pelo actual executivo do nosso município, em colmatar o déficit cultural até aqui existente, não se revele desproporcionado perante a capacidade da oferta do nosso concelho. Para além disso, e já que falamos de cultura, espero igualmente que ela não se mantenha, como até aqui, preferencialmente direccionada para o folclore, o qual, por tão bem representado que está, poderá ser encarado como a única manifestação cultural, que valerá a pena apoiar, prejudicando outras que, neste momento, carecem de mais atenção isto, claro, culturalmente falando.
Pedro Viseu

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