Analfabeto político…

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Uma das piores coisas que existem e que ainda hoje tentamos combater, é o analfabetismo! Não me consigo imaginar neste mundo actual, sem saber ler ou escrever, sem conseguir preencher qualquer tipo de documento, sem conseguir perceber o que está escrito num telecomando, sem conseguir entender os avisos de perigo, sem entender como se juntam as letras para formar palavras. No entanto, actualmente também existe um outro tipo de analfabetismo que não merece desculpa e é tão mau ou pior do que o outro, porque pode interferir com a vida de todos nós.
O analfabeto político não quer saber, não se importa, não quer sequer ouvir, não participa de acontecimentos ou actividades políticas e não chega a perceber que, o aumento de impostos, o custo de vida, os serviços de saúde, etc. … dependem de decisões políticas. O analfabeto político, “não querendo ofender ninguém” é burro e ainda por cima enche o peito de ar todo emproado, orgulhoso e diz que odeia a política. Não sabe o desgraçado que da sua ignorância política nascem “os sem abrigo”, nascem os filhos abandonados, nascem os que continuarão a sempre precisar, nascem os bandidos e acima de tudo nascem, os políticos vigaristas, os políticos aldrabões, os políticos exploradores dos sentimentos e das necessidades e pior ainda, nascem os políticos corruptos.
O analfabeto político, não participa e não quer discussão, quer manter-se fora das questões e por isso esquece-se que tem direito ao voto. Esse direito de votar implica responsabilidade e se calhar, por isso, tanta gente não vota neste país. O analfabeto político, ri-se de todos os outros que se preocupam com a sua terra, com os seus direitos, com a escolha dos melhores e mais competentes para dirigirem o nosso caminho, em direcção ao nosso futuro, mas esquece-se que não discutindo, não participando, não tem depois o direito de reclamar, tendo que aceitar o que for decidido pelos outros.
O analfabeto político esconde a falta de responsabilidade e esconde-se por trás de todos, dentro de sua casa, num qualquer local público e quando abre a boca é para dizer que não é político, que não quer saber. Mas então, quem tem que saber? São os outros que vão decidir por eles? São os outros que vão sendo os alvos das balas? São os outros que terão que ter tempo para a família, para a sociedade, para a participação activa e política, em vez deles? A vida do analfabeto político deve ser uma maravilha, enquanto tudo correr bem não será?
Claro que eu não sou ninguém para despertar este tipo de pessoas para a política, até porque, não nos ensinam na escola a ser políticos e os nossos pais se nos ensinaram alguma coisa, foi de uma forma totalmente parcial. Das três coisas mais comuns que se nos costumam apresentar como tradicionais e que não se devem discutir e que são o futebol, a religião e a política, a única que realmente importa mesmo discutir é a política. E porquê a política? Há muita gente que diz que das coisas menos importantes a mais importante é o futebol… isso é um facto mas continuo a pensar que uma grande penalidade, para uns vai ser sempre uma grande penalidade e para outros nunca. De que vale então chatearmo-nos ou preocuparmo-nos com isso?
Discutir religião é completamente inútil, dado que no final tudo se vai resumir à Fé, o que torna qualquer diálogo ou discussão sobre ela, num debate sobre o sexo dos anjos. O único momento em que se deve discutir sobre religião é quando ela interfere com a nossa vida em comum – o aborto, o preservativo, a saúde, as células, a eutanásia, mas isso acaba por ser política.
A política é a única que realmente merece ser discutida porque importa a todos de forma comum. A escolha de um irresponsável que não nos ouve, que nos ignora, que não é competente, tem exactamente o mesmo peso com o de alguém preocupado com a nossa vida, com o bem comum, e realmente preocupado com a nossa vida, com a nossa terra, com o nosso país, só que nós podemos decidir qual deles colocamos lá.
Se chegaram até aqui já foi bom, porque leram o que me vai na alma. Quando vejo tanta gente a dizer que é independente, que não quer saber da política, mas que depois critica a torto e a direito e coloca-se num trono acima dos outros, podem crer que não me agrada. Ninguém deve ser assim! Senão queremos saber de política não nos devemos meter. Se a política tem coisas que não nos agradam, nada melhor do que entrarmos nós para a política e ajudarmos a mudar o que estiver mal e a despertar outras ideias, se possível mais rejuvenescidas. Pouco mais vos posso dizer, porque considero que ainda me faltam muitas faculdades teóricas para perceber a política que nos cerca, mas pior do quer ser analfabeto político, é fazer-se. Contudo, vou continuar a insistir nessa tentativa “por enquanto frustrada” de tentar ser menos egoísta, porque entendo que fazer e entender política, é no mínimo preocuparmo-nos connosco, mas acima de tudo preocuparmo-nos com os outros!

1 COMENTÁRIO

  1. Li o seu artigo e de uma forma geral gostei do seu ponto de vista,eu também me costumo aborrecer e ficar de alguma maneira incomodado, quando na presença dos tais "analfabetos",gostaria no entanto de salientar que por vezes essa tal participação cívica necessária por parte de todos nós, em muitos casos não prolifera porque as condições económicas e o seu consequente sufoco promove essa espécie de anemia que retira forças ás partes envolvidas,e que, em última instância nos poderá impelir para uma conduta menos social principalmente se a fome apertar.
    Parabéns pelo texto e desculpem-me o desabafo.