Incontentavelmente inconsoláveis

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Neste mês do dezembro, o executivo camarário decidiu mandar distribuir, por grande parte dos penacovenses, uma Revista Trimestral, com o objetivo de, a meu ver, lhes dar a conhecer o que de mais importante (e relevante) tem feito no concelho, desde que tomou posse. Trata-se, aliás, de uma prática de propaganda bastante utilizada pelas organizações públicas ou privadas, quando pretendem demonstrar aos seus seguidores (diga-se clientes, utentes ou fornecedores) a obra que teem realizado em seu e para seu (deles) benefício.

No caso concreto da “Revista Trimestral”, lançada este mês pelo município de Penacova, o objetivo é claramente o de publicitar o esforço feito pelo atual executivo, para terminar, alterar, readaptar e concretizar parte das “obras públicas” herdadas do anterior executivo, e também para apresentar o resultado daquelas que, ainda assim, teve oportunidade e idealizar e concretizar.

Como é hábito, depressa se levantaram vozes com opiniões diversas acerca da iniciativa. Alguns, contrários à ideia, enfantizam que o custo de tal edição constitui um sério revés para os cofres do município, alegando que, por via dele, obras essenciais para o nosso concelho ficarão irremediavelmente prejudicadas. Outros criticam a utilidade de uma edição que, para além do bonito aspeto gráfico, mais não é do que um veículo para publicitar a conclusão das obras iniciadas pelo anterior executivo. Pois bem, a meu ver, quer uns quer outros estão profundamente equivocados. Por um lado, porque o preço que terão custado os 5000 mil exemplares de tal boletim, não foi divulgado, não conhecendo eu, nem talvez eles, quem tenha ficado prejudicado pelo alegado desvio das verbas que tal iniciativa terá causado, logo se traduzindo em infundada crítica. Por outro, quem afirma que aquela publicação, apenas se destina a publicitar a conclusão da obra iniciada pelo anterior executivo, só demonstra não ter a lido atentamente, talvez com o objetivo de, propositadamente, a denegrir. Portanto, quer uns quer outros visam reduzir a importância da iniciativa à dimensão das suas expetativas para o desenvolvimento do concelho, ou por nunca terem tido a oportunidade de as verem concretizadas, ou porque, apesar de as terem tido, terem acreditado na dissimulada satisfação de um eleitorado adormecido.

Contrariamente às posições por ambas as partes publicamente assumidas, considero que é de louvar a iniciativa protagonizada pelo município, não só pela oportunidade com que a tomou, mas também pela novidade que representa para todos os penacovenses que, tal como eu, há muito desejam estar ao corrente dos interesses que movem os nossos autarcas e que lhes interessam serem dados a conhecer.

Nunca é demais lembrar que, não muito longe vão os tempos em que nesta terra nada se sabia e, quando se sabia, ou já era tarde demais para se voltar atrás ou então, quando ainda era possível fazer algo, de nada valia perante o autismo de quem, na altura, igualmente nos governava. Não fossem alguns mais afoitos na denúncia e na crítica a alguns projetos concretizados, ainda hoje todos estariam convencidos da impoluta atuação do anterior executivo camarário, quando na verdade, se veio a verificar não serem assim tão eficazes para nos fazerem sair do subdesenvolvimento em que estivemos mergulhados durante quase duas décadas.

Perante isto, regozijo-me com o facto de ter sido retomada a publicação de um boletim municipal, que contribua para esclarecer e informar os munícipes das iniciativas levadas a cabo pelo município. Não me chocaria se, para além dessa “Revista Trimestral”, uma outra publicação regular fosse efetuada para divulgar aquilo que, a nível cultural, se vai fazendo no nosso concelho, à semelhança do que acontece em grande parte dos municípios do nosso país, e que normalmente se designa por “Agenda Cultural”.

Quanto ao resto, designadamente ao peso que publicações dessa natureza possam ter no orçamento camarário, estou convencido que nenhuma das verbas destinadas àquilo que se possa considerar essencial ou imprescindível ao normal funcionamento das instituições do nosso concelho, terá sido afetada. Assim, e porque considero que já é tempo de nos começarmos a orgulhar daquilo que somos e fazemos, para que esse sentimento se transmita aos que nos visitam e àqueles que ainda vão acreditando nas nossas capacidades, sou da opinião que se deve manter essa necessidade de dar a conhecer aos eleitores, o que vão fazendo os eleitos, principalmente numa altura em que as razões para estarmos com eles descontentes, superam em muito, as que neles nos agradam.

Pedro Viseu

2 COMENTÁRIOS

  1. Em Democracia o que se exige é uma opinião critica para uma cidadania activa,é de louvar tudo o que releve dos actos e projectos dos Eleitos perante os eleitores só assim podem estes escrutinar .Deseja-se pois que continue a ser conhecida a Agenda de todos e quaisquer Projectos,deve ser assim em Democracia.