A propósito da parceria com o Mosteiro de Santa Clara

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Há cerca de um mês, o município de Penacova e a Direcção Regional da Cultura do Centro, celebraram um protocolo no sentido de serem criadas condições para que ambos possam vir a usufruir da oferta cultural do Mosteiro de Santa Clara. Apreciei a iniciativa, da mesma forma que aprecio todas as outras que, de igual modo, contribuam para o conhecimento e a promoção da cultura, no sentido de “alimentar” o interesse pelos monumentos que nos rodeiam e com os quais nos devemos identificar. Apesar disso, da importância de tal entendimento, da importância do monumento e de outras tantas importâncias já criadas e que se poderão vir a criar à volta desse protocolo, sinto que, com a parceria estabelecida, o executivo de Penacova, porventura, estará a dar menos importância à história do seu concelho, pois em momento algum me lembro de ter assistido a semelhante entusiasmo relativamente, por exemplo, ao Mosteiro do Lorvão, ou ao recentemente distinguido Conjunto de Interesse Público do Pisão, ou a qualquer outro monumento existente no nosso concelho, junto da comunidade estudantil, facto que contraria a vontade do nosso presidente, em “educar as pessoas para o património, designadamente os jovens das escolas de Penacova”. 

Perante tão “elevada” iniciativa, fico sem saber para qual das margens do Mondego estarão voltadas as prioridades culturais do executivo, tanto mais que este ano de 2012 tem para Penacova um significado especial, pois foi há 820 anos, mais precisamente a 30 de Agosto de 1192, que pelo segundo rei de Portugal, lhe foi concedido o primeiro Foral, como bem lembrou Nuno Canilho. Para além desse aparente esquecimento, convém notar que não vislumbra no tão polémico Orçamento do Município alguma verba destinada à realização das comemorações de tal efeméride, imaginando eu que as intenções do executivo camarário nessa matéria, pouco mais além irão do que a “Sessão de Contos” que tem programada para o próximo dia 27 de Janeiro.

Este preocupante alheamento, para com a secular história da nossa terra, leva-me a olhar com alguma desconfiança para a aparente falta de iniciativa do município para com a realização daquelas comemorações, sendo até do entendimento que a anunciada parceria cultural, deveria ser prioritariamente direcionada para a classificação e preservação do imenso património de Penacova e do seu concelho, sem obviamente descurar a valiosa contribuição dos técnicos de Santa Clara-a-Velha,  pois entendo que, se o objectivo do município é tornar-nos mais esclarecidos quanto ao nosso património, então o mais lógico seria que todos o conhecêpEDRO vISEUssemos, respeitássemos e admirássemos, através das “visitas, colóquios e outras iniciativas que permitirão educar as pessoas para o património, designadamente os jovens das escolas de Penacova“, que Humberto Oliveira pretende ver realizadas em Coimbra, no âmbito da cooperação firmada, em Dezembro último, com a entidade oficial que representa a cultura no centro.

Pedro Viseu