Casa do Guarda Florestal

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    Para quem circula pelo perímetro florestal da Serra do Buçaco, nas freguesias de Carvalho e de Sazes do Lorvão, não passa despercebido o facto dos imóveis construídos durante o Estado Novo para albergar os guardas florestais, se encontrarem abandonados e em degradação. Estas casas foram construídas em locais estratégicos, normalmente rodeados de floresta e foram, durante décadas, a habitação do Guarda-Florestal e sua família.
    Estas casas possuíam todo o conforto necessário, a cozinha era composta por uma grande lareira, a sala e os quartos eram espaçosos e  uma razoável casa de banho. No anexo, um pouco afastado do edifício principal, ficava o armazém, casa do forno e os currais da criação. Também junto à casa, ficava a horta, que o guarda cultivava com a ajuda da esposa.
    O Guarda Florestal tinha como tarefa percorrer toda uma área geográfica, a ele destinado, denominada de Cantão, a fim de vigiar e apanhar os prevaricadores.
Apesar de isoladas, estas casas eram (e são) magníficas construções, que não merecem, de forma alguma, o abandono a que estão votadas. Contudo, o abandono é uma realidade.
    A casa do guarda, perto de Carvalho, ainda está intacta, apesar de ter as portas abertas permitindo a entrada a quem ali passe, no entanto, nada tem no seu interior que possa ser roubado. Apenas os anexos se encontram em ruinas, tendo o telhado já desabado. Sendo património do Estado, merecia melhor sorte.
    A casa do Guarda Florestal da Espinheira, a caminho da portela da Oliveira, esteve sujeito a obras de remodelação mas, segundo o que se pode observar “in loco” parece que o entusiasmo refreou. Está tudo parado e abandonado e, incrivelmente, a casa ainda não foi vandalizada.
    Houve uma tentativa de dar ao lugar um aspeto mais dinâmico com a construção de um Páteo coberto, não se sabendo ao certo com que finalidade. Foi também construído uma pérgola que se enquadra bem no recinto e até lhe daria um ar romântico, em harmonia com o espaço, se o conjunto habitacional não estivesse à mercê do mato.
    Estas casas foram o reflexo do interesse do Estado pela manutenção e conservação florestal, que foi apanágio há alguns anos atrás. Foram construídas várias ao longo da Serra do Buçaco, desde do Luso até Penacova, hoje muitas delas estão devolutas, em risco de ruina devido ao abandono, justificado pelo facto de os imoveis terem deixado de desempenhar as funções para que foram concebidas, ou seja, a habitação do Guarda Florestal.
    Ainda é possível alterar o rumo destas casas, basta haver boa vontade e alguma imaginação, enquanto património do Estado. A alternativa seria a sua venda a particulares que se comprometessem a restaurá-las, mantendo a arquitetura original. Sendo do Estado ou de particulares, estas casas esperam urgentemente que alguém lhe dê a mão, a fim de impedir o seu desaparecimento.

2 COMENTÁRIOS

  1. É lamentável, isto causa pena, mas por aqui, no Brasil também vemos imóveis na mesma situação. Há que se fazer um movimento talvez? Alguém precisa tomar a iniciativa, embora penso que o primeiro movimento já está feito. Só resta haver envolvimento e dedicação de quem tem o poder de resolver a situação de imediato ou então um movimento popular, desde que se compre a idéia.