REGENERAÇÃO URBANA – Obras de reabilitação em Penacova revelam ossadas enterradas

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Zona foi isolada e notificado o IGESPAR, que vai fazer as escavações e catalogar os vestígios, para verificar se são humanos
Só o IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico) é que vai aferir se as ossadas encontradas ontem, nas obras de requalificação urbana da vila de Penacova, são humanas.
Durante a manhã, uma máquina escavadora giratória colocou à vista ossadas, obrigando a uma alteração no traçado da vala onde estão a ser colocados colectores destinados a águas pluviais.

A zona foi isolada, depois da chegada da nossa reportagem, com os vestígios a serem cobertos com uma tela branca, tendo sido colocada, posteriormente, uma rede protectora dos olhares curiosos.

Não foi possível, contudo, evitar que muitos populares observassem o que dizem ser duas camadas de ossos, presumivelmente humanos, algo que, não será de estranhar, segundo os rumores, tendo em conta a proximidade da igreja matriz, na rua de S. João.

Para já, o caso não deverá afectar a continuação das obras em outros locais, tendo a zona sido isolada e colocada entivação (material de escoramento) para evitar desmoronamentos na vala.

De acordo com uma fonte da autarquia de Penacova, dona da obra, após contacto com o IGESPAR, ainda esta semana será realizada uma reunião com técnicos daquele instituto, que, irão catalogar e identificar a origem dos vestígios.

Há, contudo, a certeza de que os ossos não estarão no local original onde foram depositados, uma vez que se encontram misturados no estrato correspondente ao aterro que suporta o pavimento da artéria.
Existem, nesta circunstância, várias possibilidades para os vestígios terem sido encontrados naquele local específico, nomeadamente terem sido “mexidos” em obras anteriores naquela rua, como a instalação do saneamento básico ou a construção de uma adutora, que, na altura, não eram obrigadas a acompanhamento arqueológico.

Outra hipótese é que, na realização das mesmas obras, os ossos tenham sido transportados do exterior, juntamente com o material inerte ali depositado.

A mesma fonte autárquica relativizou os impactos deste achado na prossecução da empreitada, considerando que se trata de uma zona restrita, que deverá ser avaliada no espaço de uma semana. Entretanto, a obra prossegue noutros locais sem qualquer interrupção.

Este não será o primeiro achado desta natureza, depois de também terem sido encontradas ossadas na obra de construção do estacionamento subterrâneo. Contudo, nesse caso, verificou-se que se tratava de vestígios de um porco. | José Carlos Salgueiro