Lampreia é servida “à moda” de Penacova *

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A gastronomia é um valor sagrado para o povo português. E para as gentes de Penacova, que se orgulham de saber preparar com dons de mestria a lampreia, o festival que decorre entre os dias 24 e 26 de Fevereiro presta-se à degustação do ciclóstomo e é um momento privilegiado para mostrar o concelho aos visitantes, com simpatia de anfitrião e a garantia de que os momentos passados à mesa são apenas um dos encantos desta terra de paisagens sublimes.

Em plena época da lampreia, o festival gastronómico que começa hoje (sexta-feira) em Penacova conta com a colaboração de uma dezena de estabelecimentos de restauração que, em três dias, não têm mãos a medir para agradar aos comensais. E ei-los que, todos os anos, são muitos, vindos dos mais variados pontos do país, para provar a lampreia, à moda de Penacova.

O ciclóstomo, em tempos muito apreciado pela nobreza – pois era quem tinha carteira para o comprar – é hoje um prato do povo, também. E se o preço do “bicho” ainda pesa na carteira, saibam os seus apreciadores que, durante o festival da lampreia, a degustação da iguaria sai mais em conta.

De várias formas servida, de Norte a Sul do país, a boa confecção da lampreia exige alguns cuidados no preparo. Antes de mais, a limpeza da pele, que não deve deixar o menor vestígio de lodo. Observado este princípio, a qualidade dos ingredientes deve honrar o ciclóstomo, elevado ao patamar de iguaria.

Fernanda Pimentel, mordoma da Confraria da Lampreia, reconhece que, do Minho ao Guadiana, confecciona-se boa lampreia. Contudo, lembra, “à moda de Penacova”, segue-se a receita que foi recolhida junto da cozinheira mais antiga e confiada à Câmara Municipal para que ela ficasse perpetuada através dos tempos

Para ser boa, a lampreia deve ser fêmea, pois é a que tem ovas. Importa ainda fazer uma boa marinada e, claro está, usar um bom vinho, tinto, do Dão ou Bairrada, frutado e não muito envelhecido, com graduação condizente de 13 graus. Já os últimos detalhes do preparo, permanecem no segredo dos mestres, pois, reconhece a mordoma da Confraria, “há sempre detalhes que ficam só para o bom cozinheiro”.

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Escrito por Geraldo Barros  *