CIM-BM alerta para riscos do fecho da urgência nos Covões

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Autarcas dos 10 municípios querem uma reunião urgente com o conselho de administração dos CHUC e continuam à espera da resposta da ARSC


A Comunidade Intermunicipal do Baixo Mondego (CIM-BM) está preocupada com o encerramento do Serviço de Urgência do Hospital dos Covões durante a noite e não poupa críticas à forma pouco clara como o processo tem sido conduzido. Nesse sentido, o conselho executivo, reunido em Montemor, decidiu pedir, «com carácter de urgência», uma reunião com o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra. Em jeito de antecipação, deixa já um “recado” a Martins Nunes, pedindo-lhe a «prudência de não tomar qualquer decisão sem que sejam tornadas públicas as razões substantivas que justifiquem o eventual encerramento» daquele serviço e «sem que seja avaliado e tornado público o impacto nas populações servidas por este hospital».
O encerramento nocturno da Urgência dos Covões, afirma a CIM-BM, «provocará um congestionamento desastroso do Serviço de Urgência dos HUC, com incontornável prejuízo para os cuidados prestados aos utentes». Fazendo notar que este serviço sempre funcionou «mais eficientemente» nos Covões do que nos HUC, a CIM-BM, lembra ainda os argumentos da Administração Regional de Saúde, aquando do encerramento do atendimento nocturno dos centros de saúde, que apontavam precisamente para a «qualidade e proximidade do Serviço de Urgência de 24 horas do Hospital dos Covões, que servia o território a Sul do Mondego».
Críticos, os responsáveis da CIM-BM, recordam que solicitaram, em parceria com a Comunidade do Pinhal Interior Norte (CIMPIN), «em 27 de Janeiro», uma reunião com o presidente da Administração Regional de Saúde do Centro, no sentido de obter esclarecimentos relativamente «às medidas previstas para o sector da saúde, hospitais e centros de saúde», não tendo, «até ao momento, qualquer resposta».

Apelo ao diálogo

Não pondo em causa a «adopção de medidas de reforço de eficiência da gestão e optimização das estruturas» do Serviço Nacional de Saúde, a CIM-BM até admite que a fusão dos hospitais, «em termos de estrutura de gestão pode constituir uma medida racional», o mesmo acontecendo com a «concentração de algumas respostas médicas, evitando a duplicação da oferta, designadamente de urgência de especialidade» e a redução de custos, mas sem «pôr em causa a qualidade do serviço».
O conselho executivo da CIM-BM considera que «o ambiente de opacidade e falta de informação sobre o processo de fusão dos hospitais e consequente reorganização de serviços» implica uma «perda de confiança dos utentes», para além de «desestabilizar os serviços» e  os profissionais de saúde. Defende, de resto, que «qualquer alteração ao modelo de prestação de cuidados de saúde», designadamente reorganização de serviços, alterações significativas de horários de atendimento ou deslocalização de serviços, «deve ser objecto de análise e discussão com os profissionais de saúde, mas também com as instituições representativas das populações afectadas, desde autarquias a comissões de utentes ou organizações similares».