“Mulheres de Branco”

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Para comemorar o Dia da Mulher a Biblioteca Municipal de Penacova esteve patente, até hoje, a exposição “Mulheres de Branco”.

Sendo o casamento muito importante para a maioria das mulheres, nada melhor do que convidá-las a ver 72 vestidos de noiva e acessórios dos séculos XX e XXI.
Sabemos que ao longo da história a cerimónia de casamento era diferenciada das outras cerimónias civis através do traje, que era preparado unicamente para esta ocasião.
O vestido de noiva surgiu com os romanos, com a função específica de apresentar à comunidade as posses da família da rapariga. A noiva era apresentada com um vestido vermelho, ricamente bordado e sobre a cabeça um véu branco, bordado com fios dourados. O vermelho representava a capacidade da noiva de gerar sangue novo e continuar a espécie humana e o véu branco apelava para a sua castidade. No século XX o traje nupcial acompanhou toda a evolução da moda, acompanhando o sistema de alta-costura que vestiu todas as princesas do século e foi divulgado pelas revistas e figurinos de moda e posteriormente pelo cinema e pela televisão.
Nesta exposição podemos ver as tendências de moda, das várias décadas dos séculos XX e XXI, através dos tecidos e modelos. Constatamos que podemos “caminhar” pela história, pois todos os vestidos acompanham esse evoluir, sendo por isso demonstrativos da capacidade económica e a posição social da noiva. A forma como é adornado, os tecidos que utiliza e a graciosidade com que se manifesta, faz do vestido de noiva um repositório de esperança, cor e alegria, só sentidas por quem o veste num dia tão especial como é o do casamento
Também são visíveis os vários períodos da nossa história, particularmente os anos setenta, com as suas peculiares tendências de “simplicidade” e com a “ousadia” do 25 de Abril, demonstrada através do vestido cuja saia sobe acima do joelho. A partir dos anos 80, com os graduais aumentos salariais e consequentes melhoramentos das condições de vida, os vestidos de noiva tornam-se mais riscos, com tecidos mais nobres, sinal dessa ascensão social e dessa capacidade económica. Esta análise não acarreta nada de depreciativo, mas são factos que se constatam, quando se faz uma observação mais atenta da exposição que hoje terminou.

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