Pedro Coimbra, candidato à Federação Distrital de Coimbra – “O PS não pode continuar a ser liderado por um mero líder de fação”

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Que PS ficou, no distrito, depois do “cisma” de 2010?
O processo eleitoral interno de há dois anos não foi de facto algo
que tenha corrido bem. Mas isso é passado. Eu quero virar a página e não
desperdiçar energias nesse tipo de discussão. Todos temos,
naturalmente, que aprender com os erros do passado, mas hoje há que
olhar para o futuro.
Que balanço faz do mandato de Mário Ruivo?
Nada de tenho de pessoal contra o Mário Ruivo. Bem pelo contrário.
Mas, do ponto de vista político faço um balanço extremamente negativo.
Em dois anos, não foi capaz de unir o PS, à volta de uma liderança e de
uma solução; foi um mero líder de fação, que não foi capaz de promover
esses equilíbrios e encontrar esses consensos. Eu, por contra, nunca fui
líder de fação, tenho provado a vida inteira que sou um federador, um
agregador de pessoas e de sensibilidades, dentro e fora do PS. Por outro
lado, também não assisti a um discurso mobilizador para os socialistas e
para as pessoas dos 17 concelhos do distrito e da região. E isto é
tanto mais preocupante quanto o próximo presidente da Federação vai ter
como grande responsabilidade as eleições autárquicas de 2013. Pois bem, o
Mário Ruivo pouca ou nenhuma experiência autárquica tem e não lhe é
reconhecida capacidade para liderar processos autárquicos. O que aí vem
vai ser disputado num contexto político e social difícil e eu, modéstia à
parte, já dei provas de que tenho essa experiência e essa capacidade.
O que incorpora do legado de Victor Baptista na sua candidatura?
Quero dizer que o legado que o Victor Baptista deixou no distrito só
merece ser reconhecido e elogiado. Com muito mérito, deixou o PS na
liderança autárquica. Recordo que, sob a sua liderança, em 2009 ganhámos
nove câmaras no distrito. Mas a minha candidatura não está nem pode
estar conotada com qualquer outra. Eu tenho as minhas próprias
características e experiência pessoais e políticas. Por isso, concorro
de forma natural, naturalmente com respeito pelo passado e por todos os
presidentes da Federação.
Como pensa conduzir o processo das autárquicas?
Das nove câmaras em que somos poder, há que ver primeiro aquelas em
que os presidentes não se podem recandidatar, ou seja, Condeixa, Soure e
Tábua. Aqui, em conjunto com os órgãos concelhios e com os próprios
presidentes que agora cessam funções, temos de encontrar as melhores
soluções…
Admite que essas soluções passem pelos atuais “números dois” desses municípios?
Não diria exatamente nesses termos. O caso de Tábua é diferente, pois
o presidente da câmara já admitiu não levar o mandato até ao fim, pelo
que o vice-presidente assumirá o cargo no que resta de mandato. Mas,
segundo sei, isso não sucede nos outros dois casos, pelo que o processo
de escolha que preconizo, em conjunto com os órgãos concelhios e também
com o Jorge Bento e o João Gouveia, pode ser enriquecido com consultas
de opinião para aferir quem são os candidatos mais bem inseridos na
população local e mais reconhecidos para conduzirem os seus destinos.
Mas há que dizer que em todos estes três concelhos o PS tem figuras de
reconhecido mérito e capazes.
PS parte para as autárquicas para ganhar todas as câmaras
E nos outros seis concelhos?
De uma maneira geral e se for a vontade dos próprios a lógica é que
sejam eles os recandidatos. Quero dizer que todos os presidentes de
câmara destes seis concelhos são personalidades reconhecidas, que têm
obra feita apesar das dificuldades que o país atravessa, que são pessoas
sérias e competentes. Mas tudo isto, claro, no estrito cumprimento dos
Estatutos do PS.
O PS não é governo em oito autarquias…
O que quero em absoluto comprometer-me é que em nenhuma destas oito o
PS parte derrotado. É essa a minha filosofia, na política e na vida. De
resto, eu já parti para um combate em que muitos diziam que o PS partia
derrotado e ganhámos com larga maioria absoluta. Eu sempre acreditei no
trabalho e nos projetos políticos sólidos, que vão ao encontro das
necessidades e dos interesses das populações, que sejam bem explicados,
que sejam bem sustentados do ponto de vista económico e político.
Ganhar as autárquicas, no distrito, é ganhar a maioria das câmaras?
Sim. Mas não podemos fugir de dois objetivos fundamentais: manter a
Figueira da Foz, que reconquistámos em 2009, e ganhar Coimbra. Por isso,
aqui é preciso um grande sentido de responsabilidade.
Coimbra é aposta decisiva?
Coimbra há muito tempo que parou no tempo e tem vindo a perder
terreno face a outras capitais de distrito, com similares
características de cidades universitárias. É preciso acabar com este
permanente distanciamento entre a cidade e o ensino superior, público e
privado, e lançar, de forma irreversível, a marca Coimbra capital da
Saúde. Por fim, é preciso acabar com as costas voltadas entre a câmara e
as IPSS, situação que só tem resultado em claros prejuízos para todos,
incluindo as famílias e as próprias IPSS, como se viu neste lamentável
caso das refeições escolares.
A questão do metropolitano é fundamental?
É e urge encontrar uma solução, até porque há milhares de pessoas
prejudicadas, em Coimbra, Lousã e Miranda do Corvo. Mas é também preciso
reivindicar a nova autoestrada para Viseu, mesmo sabendo das
circunstâncias difíceis do país. Não podemos esquecer que o IP3 é
conhecido como “estrada morte” e que um novo traçado permitiria também
alavancar o tecido económico do distrito e da região, contribuindo de
forma decisiva para que as exportações possam aumentar.
E as pessoas?
As pessoas são as que o concelho perdeu: na última década foram mais
de cinco mil habitantes, enquanto que, na década anterior, tinha
conquistado nove mil. Continuam a fechar serviços públicos essenciais e a
haver total incapacidade para fixar indústrias e postos de trabalho. E o
exemplo do iParque é significativo. Basta ver que não há hoje postos de
trabalho ali criados nem empresas instaladas…
António José Seguro tem futuro à frente do PS?
O António José Seguro será o próximo primeiro-ministro de Portugal.
Agora, tem um trabalho difícil pela frente. Desde logo o memorando da
troika, que ele tem respeitado inteiramente. Depois, tem um grupo
parlamentar que não escolheu. Mas ele é um homem de grande sensatez.
Conheço-o particularmente bem e a sua competência e seriedade. É um
homem de princípios, que coloca ao serviço da política e do país. Aliás,
o lema que adotou, “As pessoas estão primeiro”, revela a consciência
social e cívica que tem.
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Por Paulo Marques em Diário As Beiras