POPULAÇÃO – A importância da demografia no concelho de Penacova *

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Compreender
um concelho e a sua realidade demográfica comporta a necessidade de um
conhecimento concreto e aprofundado da sua população. Consequentemente, a
sua estratificação, evolução e características sócio-culturais obrigam a
fazer-se um enquadramento em perspectiva do seu crescimento na região
onde está inserido.


O
estudo sobre uma população encontra o seu produto no número total de
indivíduos (homens e mulheres em conjunto e em separado), nos grupos
etários (jovens, adultos e idosos), nos nascimentos, óbitos, fluxos de
imigração e de emigração. Daqui resulta a análise que permite, através
de cálculo de taxas, índices e saldos, perceber quais as dinâmicas
existentes na interacção dos indivíduos da população. Isto faculta a
construção de possíveis cenários, que podem dar um bom contributo na
tomada de decisões sobre caminhos a seguir no encontro da satisfação das
necessidades da vida e do conforto das comunidades. Assim como,
contribuem positivamente no apontar de um melhor curso do plano
estratégico para que, no momento final, seja alcançada a eficiência e a
eficácia da utilização dos recursos pois, como sabemos, são
insuficientes.

O
total de população de Penacova desde os últimos censos tem sido
inferior a 20000 indivíduos. A tabela apresentada demonstra que o
concelho teve um ligeiro acréscimo de população entre 1970 e 1981. Neste
período estão incluídos dois acontecimentos excepcionais, que
influenciaram as dinâmicas da população. O primeiro refere-se ao fluxo
de entrada de população vinda dos territórios ultramarinos e o segundo
refere-se à última grande vaga emigratória, principalmente para a
Europa. No entanto o saldo foi reduzidamente positivo. Contabilizando os
nascimentos vivos e os óbitos existiu um aumento de 73 indivíduos. Após
um decréscimo de 600 indivíduos, existiu nos dez anos que sucederam
alguma estabilização. Os dados preliminares dos Censos 2011 estão ainda
pouco trabalhados, no entanto permitem perceber que ocorreu uma
diminuição da população em 10,4% entre 2001 e 2011. Este valor revela-se
preocupante sobre a questão da desertificação do município. 



O concelho
de Penacova (Nut III) insere-se na Região Centro – Baixo Mondego (Nutt
II) e esta perdeu, entre 2001 e 2011, 1,44% da sua população. Assim,
verifica-se que Penacova não está a fomentar atractividade na fixação da
sua população. Os movimentos pendulares, que representavam grande parte
das movimentações da população para Coimbra, tornando os concelhos
limítrofes regiões dormitório, não estão também a promover a fixação da
população de Penacova. Os dados definitivos dos Censos 2011 irão
permitir perceber concretamente as causas deste valor negativo. Será
também
possível saber qual a evolução da pirâmide etária do concelho. Sabe-se
que em 2001 a pirâmide tinha a sua base mais estreita que o centro.
Significa que a reposição das gerações não está a acontecer. Ocorreram
menos nascimentos e a esperança média de vida aumentou nas mulheres de
80,8 em 2001 para 81,6 anos em 2007 e nos homens de 74,3 em 2001 para
75,5 anos em 2007. Significa que a população está a envelhecer. A soma
da população jovem com a população idosa representava em 1970 41% e em
2001 34,1% do total. Estes
dados são enganadores, pois sabendo que o número de nascimentos vivos
por mil mulheres com idades entre os 15 e os 49 anos reduziu de 73,24 em
1970 para 36,63 em 2001, será muito importante analisar os dados finais
dos censos de 2011 e verificar se tendência é de redução. A
verificar-se esta situação é previsível que antes de 2050 a pirâmide
tenha o aspecto de um cogumelo e isso será a prova de que o
estrangulamento na base produzirá efeitos de futuro muito prejudicais na
estrutura populacional, social e económica.


A
pirâmide etária da população de Penacova tem as características de um
país desenvolvido em que naturalmente a taxa de natalidade é reduzida, o
número de adultos é superior aos jovens e a esperança média de vida é
grande. Estes valores acarretam um esforço sócio-económico maior porque o
envelhecimento da população aumenta os encargos com reformas e pensões e
faz aumentar as despesas com a saúde. Em consequência da redução de
nascimentos, o grupo etário dos adultos sofre uma sobrecarga pois é a
parte activa da população. Por fim a sociedade perde dinamismo por não
conseguir efectuar a reposição das gerações.


Oportunamente
os censos de 2011 serão a fonte de informação que ajudará à confirmação
de tudo o que foi apresentado e darão um óptimo contributo no
encaminhamento das decisões sobre a promoção de medidas de combate ao
envelhecimento da população.


Paulo Cunha Dinis