Bombeiros admitem abandonar serviço de transporte de doentes

0
2
Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP)
admitiu que muitas das corporações podem abandonar o transporte não
urgente de doentes, e responsabilizou o Ministério da Saúde pelo
“iminente colapso” das associações de bombeiros.

 

“Esteve em cima da mesa, e foi levantado por alguns dos presidentes de
federações, que nós devíamos abandonar totalmente o transporte de
doentes não urgentes”, disse à agência Lusa o presidente da LBP, Jaime
Marta Soares.

A LBP realizou neste sábado, em Fátima, uma reunião
com os presidentes das federações distritais dos bombeiros, para
analisar o novo regime de transporte não urgente de doentes, que deixou
de ser exclusivo para as ambulâncias.

Jaime Soares adiantou que
uma das questões discutidas na reunião foi o abandono deste tipo de
transporte, uma vez que os concursos públicos para a realização deste
serviço, previstos no novo regime, e as condições do novo regime levarão
“à degradação e à falência das associações de corpos de bombeiros”.

Segundo
o presidente da LBP, os bombeiros vão procurar “formas de
sustentabilidade para que as populações não fiquem ao abandono”, mas o
“colapso é iminente” e toda as estrutura poderá começar a “desmoronar”,
porque não fazem só transporte de doentes.

O transporte não
urgente de doentes permitia que os bombeiros tivessem “um fundo de
maneio, que dava alguns equilíbrios”, e muito do pessoal ligado ao setor
da saúde também actuava noutras áreas, nomeadamente no combate aos
incêndios, disse.

“Isto é uma bola de neve que, de um momento
para outro, pode fazer desmoronar muitas das associações e corpos de
bombeiros”, sustentou Jaime Soares. “Estamos muito preocupados. Foi isso
que manifestámos”.

A portaria que regula o transporte não
urgente de doentes, publicada esta semana em Diário da Republica, cria a
figura de veículo de transporte simples de doentes (VTSD), destinado a
doentes não urgentes, cuja situação clínica não faz prever a necessidade
de cuidados de saúde durante o transporte.

Segundo o diploma, o
transporte não urgente de doentes vai passar a ser realizado em VTSD e
ambulâncias, mas o recurso a este tipo de serviço tem de ser justificado
pelo médico assistente.

Para o presidente da LBP, estas novas viaturas “não têm as condições adequadas para o transporte de doentes”.

[fonte]