Penacova recebeu ontem a sessão final do projecto Q3 – Centro, ao abrigo do qual foram apoiadas 34 entidades da área social da região centro

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Ao longo dos últimos dois anos, 34 entidades da região Centro, na área da economia social, têm recebido ajuda para aumentar as suas qualificações em inúmeras áreas, no âmbito de um projecto comunitário coordenado pelo IEBA (Centro de Iniciativas Empresariais e Sociais).
Trata-se do Q3 – Centro, que teve como objectivo aumentar o nível de qualificação das entidades do chamado 3.º Sector da economia, onde se incluem as colectividades que promovem a cultura, recreio e desporto, as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e as associações de desenvolvimento local.
Ontem, no Auditório Municipal de Penacova, as 34 entidades reuniram pela última vez, para fazer um balanço do projecto e darem a conhecer a experiência vivida, sendo de destacar a mensagem deixada por Pedro Fonseca, do IEBA, que alertou para uma mudança de paradigma na gestão destas instituições.
O responsável defendeu que, mesmo não antevendo «um futuro negro», «estão a acabar os tempos de dependência do Estado», pelo que, tendo em conta a difícil situação do país, «existe a necessidade de uma gestão mais profissional», no sentido de as instituições conseguirem mais fundos próprios.
Pedro Fonseca sustentou que «as entidades têm de progredir, e, para isso, têm de se qualificar», algo que foi concretizado, não só nesta fase, como na primeira, que decorreu entre 2008 e 2010.
O presidente da Câmara Municipal de Penacova, Humberto Oliveira, convidado a abrir a sessão, que decorreu durante todo o dia, lembrou que já trabalhou neste tipo de projecto, precisamente como consultor no IEBA, destacando o peso na economia e a empregabilidade do 3.º Sector.
Milhares de horas em consultoria e formação
Como explicou ontem Carla Duarte, da equipa do Q3 – Centro, durante os últimos dois anos, as 34 entidades receberam 3.910 horas de consultoria e 7711 horas de formação, prestadas por oito consultores e 80 formadores, no sentido de melhorar as qualificações dessas instituições.
Trata-se de 26 IPSS, três misericórdias, três associações, uma cooperativa agrícola e uma Cerci, dos vários distritos da região Centro, de Trancoso a Alcobaça, passado por Aveiro, Penacova, entre muitas outras.
Carla Duarte, elogiando a forma como os colaboradores e dirigentes foram participativos neste processo, deixou a recomendação de que «não se deve dar isto como um processo terminado», aconselhando à tomada de uma postura de evolução constante.
Na sessão de ontem, que incluiu uma palestra sobre “Fundraising & Organizações da Economia Social”, proferida por Miguel Silva, Paula Hipólito, do Centro Paroquial da Vera Cruz, de Aveiro, foi convidada a dar testemunho sobre o processo vivido pela instituição, enquanto Alberto Batista, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro falou sobre a avaliação do projecto.

Centenas de instituições qualificadas no país
Q3 – Centro insere-se no projecto “Q3 Qualificar o 3.º Sector”, de âmbito nacional, financiado pelo Programa Operacional do Potencial Humano, em que foram intervencionadas mais de duas dezenas de entidades, em duas fases.
A primeira decorreu de 2008 a 2010 e teve a participação de 110 instituições em todo o território continental, 40 dos quais na região. Nesta segunda fase, que agora termina, estiveram envolvidas 79 entidades no país, com excepção do Algarve, sendo 34 do Centro.