BOMBEIROS – Meios de combate a incêndios, resgate, socorro e transporte da região centro concentrados, de novo, em Santa Comba Dão

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Partilha de meios entre ministérios centram no concelho meios de combate a incêndios, resgate, socorro e transporte da região centro


O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) anunciou
ontem que o heliporto de Santa Comba Dão volta a ser o vai ser o centro
nevrálgico do socorro médico da região Centro, representando, na prática, que
volta ter um helicóptero permanente.
Trata-se de um acordo entre os ministérios da Saúde e
Administração Interna, que permite a utilização dos meios da Protecção Civil,
normalmente estacionados no local, fora das épocas de risco de incêndio.
Santa Comba Dão contestou veementemente a transferência do
helicóptero do INEM para Aguiar da Beira, há pouco mais de um ano.
A mais recente decisão governamental vem ao encontro das
reivindicações santaconbadenses, que defendiam ter as melhores estruturas e
centralidade para receber, tanto o helicóptero do INEM, como o Kamov da
Protecção Civil.
O acordo alcançado entre os dois ministérios visa
rentabilizar os meios existentes, tanto mais que, enquanto os helicópteros
pesados Kamov são propriedade do Estado, os cinco aparelhos ligeiros que operam
para o INEM, são alugados.
Assim, tendo em conta que a média de transporte de doentes
em emergência médica é de 0,5 pacientes por aparelho por dia, o consenso
alcançado foi de colocar os helicópteros da Protecção Civil a fazer esse
serviço durante a época baixa dos fogos.
O compromisso, segundo o INEM, é que, durante a fase Charlie
-1 de Julho a 30 de Setembro – esteja estacionado em Santa Comba Dão um
helicóptero ligeiro, com equipa médica.
Nos restantes períodos do ano, o Kamov, que normalmente faz
missões de resgate, busca e salvamento, assim como o combate a fogos
florestais, assegurará o serviço normalmente reservado aos aparelhos do INEM.
Isto resulta numa poupança importante para o Estado, no
sentido em que havia necessidade de alugar aparelhos para o INEM durante todo o
ano, enquanto, a partir de agora, essas aeronaves só estarão ao serviço durante
a época dos fogos.

Penacova Atual (incêndios 2010)
Assegurada cobertura nacional

Com a nova filosofia de socorro médico aéreo, o Estado vai
pretende potenciar o uso dos seus nove helicópteros, reduzindo ao máximo o
aluguer de outros aparelhos, conseguindo também cobrir todo o território
continental.
De acordo com o INEM, na fase Charlie, o INEM terá
helicópteros em Vila Real,
Santa Comba Dão e Loures. O quarto aparelho pode ficar em Beja ou Loulé.
Nos restantes meses, estarão à disposição cinco helicópteros
equipados com equipas médicas, nomeadamente os Kamov de Santa Comba Dão e
Loulé, assim como aparelhos ligeiros em Vila Real, Loures e Beja.
Complementarmente, estará colocado um helicóptero em Ponte Sor, sem equipa
médica, mas que, segundo o INEM «permitirá ir ao local e se necessário trazer a
vítima para o hospital» 

Decisão reconhece as nossas reivindicações

Ainda sem conhecimento oficial do acordo, o presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão
regozijou-se com a centralidade ganha pelo concelho no socorro aéreo.
«Não vamos fazer emitir comunicado público sem conhecimento
oficial, mas isto não é mais do que o reconhecimento daquilo que reivindicámos»,
disse João Lourenço, salientando que é uma questão de eficiência» na utilização
dos meios.
O autarca salientou que «nada tenho contra Aguiar da Beira –
dou-me muito bem com o presidente e tenho lá muitos amigos – mas temos de
reconhecer que a partilha de meios é boa para todos nós».
João Lourenço foi um dos mais acérrimos críticos da
transferência do helicóptero do INEM para Aguiar da Beira, defendendo que Santa
Comba Dão tem as condições ideais e a centralidade para o efeito.
Na altura, há pouco mais de um ano, este assunto motivou mesmo a
realização de uma manifestação, em que participaram dezenas de populares e
responsáveis políticos, não só de Santa Comba Dão, mas também
dos municípios
vizinhos. |
 José Carlos Salgueiro