Bombeiros ameaçam manifestar-se em Agosto e paralisar serviços em Setembro

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O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses disse que a 18 de
Agosto as corporações vão “sair à rua” e paralisar de 4 a 6 de Setembro se o Governo
não atender às reivindicações da classe.

“Vamos reivindicar na rua como nunca o fizemos. Se os
médicos e enfermeiros o fazem, nós também temos esse direito”, afirmou à
agência Lusa Jaime Marta Soares, à margem da inauguração das obras de ampliação
e remodelação do quartel dos bombeiros da Cruz Verde,
em Vila Real.
O dirigente referiu que, na segunda-feira, vai reunir com
o Ministro da Administração Interna e o Ministro da Saúde e, disse, “se não
saírem soluções das reuniões os bombeiros vão para a rua”. A 18 de Agosto,
explicou, haverá manifestações no Porto, Coimbra, Lisboa e Faro e, de 4 a 6 de Setembro, existirá uma
paralisação “total” dos serviços pelo país, excluindo assistência a
hemodialisados, doentes com cancro e doenças agudas.
Marta Soares referiu que o Ministério da Administração
Interna que “está em dívida” com as corporações, acusação que Miguel Macedo
nega, acrescentando que o Ministério da Saúde também lhes deve “mais de 20
milhões de euros”. “Os bombeiros têm vindo sempre a baixar-se perante os
poderes instituídos e a pagar para prestar socorro, pelo que a situação tem de
ser invertida e as corporações ressarcidas”, queixou-se o responsável.
As corporações têm sofrido, segundo o dirigente, muitas
dificuldades por causa dos cortes financeiros e da falta de viaturas e
ferramentas adequadas para responder às necessidades da população. “Temos de
chamar à atenção do poder político para esta problemática porque a manterem-se
os cortes e a diminuição das transferências, os bombeiros chegarão a uma altura
em que não terão capacidade para sair, combater incêndios e socorrer pessoas”.
A Liga dos Bombeiros reclama ainda uma análise à nova lei
das finanças locais, uma reorganização e reformulação do Serviço Nacional de
Protecção Civil, que tem “gorduras a mais”, e um período de carência em concursos
públicos. “São meia dúzia de coisas que têm de ser tratadas porque, se não
forem, vão-nos enfrentar na rua”, observou Jaime Marta Soares.
Face às críticas por parte da Liga dos Bombeiros, o
ministro da Administração Interna esclareceu que a sua tutela tem feito um
esforço para apoiar os bombeiros. Além disso, Miguel Macedo relembrou o apoio
jurídico e médico que é prestado aos bombeiros com maiores necessidades
económicas.
O governante recordou ainda o aumento de 50 para 85 por
cento da comparticipação na aquisição ou reparação de viaturas danificadas nas
ocorrências. “Há, de facto, algumas matérias que carecem de actualização e
merecem ser repensadas”, reconheceu.

Miguel Macedo garantiu ainda que, até Setembro, um grupo de trabalho vai
desenvolver acções para propor um novo modelo de financiamento das corporações.
Este esforço, acrescentou, vai obrigar a racionalizar alguns dispositivos na
área da protecção civil.