Pedro Coimbra e José Manuel Silva deixam críticas à falta de acutilância e de estratégia

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Pedro Coimbra, presidente da Federação de Coimbra do PS e José Manuel Silva, bastonário da Ordem dos Médicos, concordam que Coimbra se acomodou e que, na prática, não se tem afirmado devidamente o cluster da saúde e que muito podia ser feito para o potenciar.
Pedro Coimbra e José Manuel Silva encontraram-se para uma conversa solta sobre Coimbra e a Saúde, a convite da Rádio Regional do Centro. Ambos se declaram defensores do Serviço Nacional de Saúde e pelo meio da conversa convergem nas críticas: “Coimbra precisa de uma voz mais política, ouve-se pouco nos palcos nacionais e tem de ser mais irreverente”, adverte José Manuel Silva, mostrando-se convicto de que “é preciso saber exercer uma liderança inteligente e carismática”.
O líder socialista lembra que vários serviços têm sido desmantelados em Coimbra, e que a falta de capacidade de luta tem prejudicado os cidadãos. Entende por isso que é imprescindível “uma autarquia forte, dinâmica, empenhada, que seja um polo de dinamização da região, dando como exemplos próximos Viseu e Castelo Branco, que competem com polos maiores e que são muito mais irreverentes”.
“Tem de haver mais acutilância”, retorque José Manuel Silva, referindo que “há muito tempo que Coimbra devia ter uma estratégia de exploração da sua localização central no País”.
“Na área da Saúde somos genuinamente dos melhores do mundo”, considera Pedro Coimbra. O bastonário salienta nesta troca de impressões que “os portugueses devem orgulhar-se da qualidade e universalidade do SNS. Mas o governo tem-na colocado em causa”. Ambos os intervenientes se mostram preocupados pelo facto de haver doentes que deixam de ir às consultas porque não conseguem suportar os custos dos transportes e das taxas moderadoras, preocupação acentuada por José Manuel Silva, que critica “os cortes cegos” no sector.
Segundo o bastonário, “a formação dos especialistas demora 12 anos – e, até atingir o nível de perícia ideal ainda têm muitos anos pela frente – e o Estado está a desperdiçar este investimento que é muito caro ao País”. O que leva à emigração de profissionais de saúde, tendo o Estado de contratar médicos estrangeiros, desperdiçando recursos nacionais que levou anos a formar.