FESTAS DE SÃO MATEUS – Conheça um pouco mais sobre a freguesia de Friúmes, que já foi Framianes

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A freguesia de Friúmes surgiu em desanexação da de Penacova. Pertenceu ao concelho de Vila Nova de Poiares até 24 de Outubro de 1855.

Situada no extremo sudeste do concelho, na margem esquerda do rio Alva, afluente do Mondego, dista sete quilómetros da vila de Penacova. Ocupa uma área de 14,7 km2, distribuída pelas povoações seguintes: Carregal, Friúmes, Miro, Outeiro Longo, Vale do Conde, Vale de Maior, Vale do Meio, Vale do Tronco e Zagalho.


Friúmes foi um curato da apresentação do prior de Penacova, que tinha 30.000 réis de renda anual. A Universidade de Coimbra possuiu por aqui alguns casais, sujeitos e juradoria de Mucela e à matriz de Santa Maria da Arrifana.


A Igreja Matriz, dedicada a S. Mateus, foi reedificada e benzida em 1779, mas logo incendiada, poucos decénios depois, durante as Invasões Francesas. É de referir o seu altar-mor em talha dourada. São ainda dignas de referência algumas peças de prata do seu património.


Nelson Correia Borges escreve, em “Coimbra e Região“: “Esta vertente norte da serra da Atalhada, que se aproxima do leito do Alva em vales, ravinas e outeiros, é terra da freguesia de Friúmes. Pequenos povoados pontilham aqui e além de branco ou terroso a mancha verde desta serra onde outrora laboraram 22 moinhos de vento que hoje não passam de torres arruinadas por entre o matagal. Carregal, Vale do Conde, Zagalho são miradouros singulares sobre a Casconha e as terras beirãs até à Estrela.


Faltam elementos para a história desta zona, embora a povoação sede já apareça mencionada em documentos do século X, com o nome de “FRAMIANES”. Talvez os romanos já por cá tivessem andado a explorar ouro. Próximo de lugar de Miro existe uma velha mina abandonada a que o povo chama a “Toca da Moura”. A terra que daí se extraia era levada em zorras – espécie de carro sem rodas – até ao Alva, para ser lavada, à procura de pepitas.


Ao fundo de Friúmes, em largo povoado de oliveiras – continua o mesmo autor, mais adiante -, alveja a Capela da Senhora do Cabo. Se excluirmos a imagem de Nossa Senhora da Purificação, gótica, dos séculos XV-XVI, esculpida em madeira, nada tem esta capela que artisticamente se destaque. Mas o local é de grande beleza.


Na época a que se reporta o texto acima os moinhos da Serra da Atalhada estavam, de facto, em ruína. Hoje, grande parte deles, estão recuperados e transformados em turismo de habitação. Têm como suporte um restaurante moderno e paisagens fabulosas.


Corre perto o Rio Alva. Pode descer-se de carro até Vale da Chã ou dar uma saltada ao Vimieiro [S. Pedro d’Alva].

FONTE: F R A M I A N E S – CARTAZ DAS FESTAS CONSULTE AQUI