Por Portugal! *

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Já não
participava numa manifestação há mais de 18 anos. A última vez foi numa das
maiores mobilizações estudantis a nível nacional contra a política do
Ministério da Educação, na altura liderado pela Manuela Ferreira Leite.
Ontem, passados estes anos, na
qualidade de cidadão e apenas como tal, voltei a participar numa das maiores
mobilizações nacionais da nossa democracia.
Em Coimbra, da Praça da República até
ao Parque Verde – estava previsto que a iniciativa terminasse na Praça 8 de
Maio, mas foi pequena para tanta gente – juntaram-se milhares de cidadãos.
De acordo com dados da Polícia de
Segurança Pública, a manifestação iniciou-se com cerca de sete mil pessoas
tendo “engordado” durante o seu percurso até às vinte mil, tornando-se
a maior manifestação em Coimbra desde o 1.º de Maio de 1974.
O que mais me saltou à vista, para
além da dimensão, foi a transversalidade e presença tão diversificada de
cidadãos: jovens, menos jovens e mais velhos; trabalhadores e reformados; médicos
e professores; empresários e operários; desempregados e sindicalistas;
advogados e enfermeiros; comerciantes e funcionários públicos. Famílias
inteiras e, já agora, também militantes e dirigentes do PS, do PSD, do CDS/PP,
do BE e do PCP!
Dificilmente se consegue tanto
consenso nacional nalguma matéria e isso foi mérito do actual Governo, liderado
por Pedro Passos Coelho. Ao anunciar mais um conjunto de medidas de austeridade
que vão muito
para além das impostas pela troika,
contestadas por todos os parceiros sociais e por todos os sectores da sociedade
portuguesa.
Os sacrifícios pedidos ao povo têm
limites de dignidade e de moralidade e esse limite foi ultrapassado!
Sublinho, com orgulho, o carácter, o
sentido de responsabilidade e o civismo do Povo Português. Tirando alguns
pequenos incidentes nalguns pontos do País, esta manifestação nacional em
muitas das nossas cidades, foi ordeira e pacífica.
Pena é que o Governo tenha atirado o País
e os Portugueses, aos olhos da comunidade internacional, para uma imagem semelhante
à da Grécia.
É desejável, a bem de Portugal e de
todos nós, que este mesmo Governo caia na realidade e recue rapidamente nas
medidas que apresentou e que, inexplicavelmente, vão muito para além do acordo
da troika, para além da tolerância dos portugueses, e que são contestadas por
todos os sectores 
sem excepção.
Viva a Liberdade!
Viva
Portugal e os portugueses

Artigo de opinião, originalmente publicado na edição de 17 de setembro do Diário de Coimbra

1 COMENTÁRIO

  1. "Pena é que o Governo tenha atirado o País e os Portugueses, aos olhos da comunidade internacional, para uma imagem semelhante à da Grécia."

    Sendo que a troika está satisfeita com o trabalho que Portugal tem feito para reequilibrar os seus problemas estruturais, e a Grécia não o tem feito, acho que essa frase é no mínimo insultuosa para o esforço que o povo português tem feito para recuperar a credibilidade exterior (alias, como se comprova com a descida massiva dos juros da divida portuguesa).

    Alem de que, as manifestações na Grécia são de tal forma violentas que em nada se podem comparar ao que aconteceu no sábado passado.

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