Questões de Papel

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Todos os dias temos conhecimento
que mais uma padaria fechou ou vai fechar portas. São fruto da época que
vivemos. São essencialmente o resultado dum cancro designado por crise  económica que se alastra diária e
vigorosamente com mais ou menos estrondo deixando devastação por onde passa.
Diariamente, são mais umas centenas de pessoas que entram no desemprego, são
mais empresas que fecham. É este o resultado duma análise fria e diagonal feita
a qualquer suplemento económico de qualquer jornal.
Ainda no mesmo suplemento vejo
mais um regime de exceção criado para uma determinada empresa do estado para
que esta elite de funcionários não perca uma ou outra regalia que, na minha
opinião, pouco ou nada fez para a merecer. Ninguém me tira da cabeça que essa
mesma exceção é para pagar mais um favorzito ou algum tacho arranjado à pressa.
Mas isso sou eu a delirar.
Não costumo fazer, e das poucas
vezes que o fiz, ninguém se deu ao trabalho de me responder. Seja pela minha
pequeneza ou até mesmo pela minha insignifi cância, nunca nenhum político, muito
menos alguém responsável, e impossivelmente um ministro se deu ao trabalho de
me subscrever e informar sobre uma ou outra questão. Mas, fruto da teimosia, cá
vai mais uma pergunta: – os senhores não têm vergonha, pois não? Com qual
direito adquirido os senhores pedem sacrifícios aos portugueses, a empregados e
a empregadores, e os mesmos senhores não se dão sequer ao trabalho de comprar
papel higiénico mais barato? – É incrível como os senhores, e a questão do
papel higiénico é exemplo perfeito, até pela sua menor importância, não se preocupam
com pormenores tão insignifi cantes, (repare o meu caro leitor que eu referi o
termo pormenor, não usei a palavra que está a pensar, mas que seria a mais
apropriada), e assim, darem o exemplo e começarem a poupar.
Parece que afinal a polémica sobre
a TSU deu resultado e as medidas previstas não vão avançar. Ou seja, fi camos na
mesma. Se estávamos mal, continuamos mal. Ao menos valha-nos isso. No entanto,
com mais uma dúvida eu fico: – a quem é que verdadeiramente a nova TSU ia beneficiar?
– Não consigo encontrar uma resposta.
Tenho ouvido também que tanta
austeridade começa seriamente a ameaçar a democracia. Será esse mais um
pretexto para evocar a memória do “forte” de outros tempos. Não acho que seja a
austeridade que ameaça a democracia. Quem, e sou só eu a divagar, ameaça
diariamente a democracia, procurando enviar a culpa para outros tempos, são
aqueles que diariamente enchem os bolsos a custo de uma pretensa crise, que,
com o apoio de meia dúzia de encarneirados lhe indica e amansa o caminho para
que seja um “regabofe” total próprio de grandes mordomias conquistadas à custa
de “sangue inocente”.
Cuidado que o povo não dorme e o
bicho pode acordar. A Historia até me dá razão.
Um bem-haja e até ao próximo
número.

Opinião de Francisco Costa, director da revista Lusossabores

1 COMENTÁRIO

  1. Bom texto Francisco. Vou dar-te a minha opinião sincera, a crise por que passamos não é pior do que aquela em que vivemos há algumas décadas. Ainda neste fim de semana os centros comerciais em Coimbra estavam a abarrotar de gente, e não me digam que foram apenas ver as montras pois era vê-los/as com os saquinhos nas mãos. O maior problema é a comunicação social que não fala de outra coisa que não a crise, levando empregados e empregadores a duvidar do seu próprio valor, não arriscando investir o seu dinheiro, uma vez que, segundo a imprensa, vamos todos para o cano e não há salvação possível. Dás um bom exemplo com o papel higiénico, mas para mim o pior exemplo é o das prestações sociais tipo RSI, pois andam todos de costas direitas, passam os dias no café e no fim do mês queixam-se que são uns desgraçadinhos e o que recebem não dá nem para comer. Este sim é o maior flagelo da nossa sociedade, não obrigar esta gente com bom corpo a produzir e pagar impostos. Como diz alguém que conheço, só tenho pena das crianças, dos doentes (verdadeiros) e de alguns idosos, pois para os outros a minha palavra é VAI TRABALHAR.