Humberto Oliveira espera que obras nos açudes do Mondego facilitem subida da lampreia

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O
presidente da Câmara de Penacova admitiu hoje que “nem toda a
lampreia” consumida localmente é capturada no concelho, apostando a
autarquia num projeto multimunicipal para remover obstáculos do rio Mondego e
facilitar a subida do ciclóstomo.



A
lampreia servida nos restaurantes de Penacova “pode ser toda do rio
Mondego”, mas maioritariamente pescada “abaixo de Coimbra”,
declarou o autarca Humberto Oliveira à agência Lusa.
Desde
que foi construída a ponte açude de Coimbra, há mais de 25 anos, a lampreia e
vários peixes, como o sável e a enguia, deixaram de poder desovar a montante da
cidade, como faziam regularmente há milhares de anos.
Penacova
e outros municípios vizinhos estão envolvidos num projeto de recuperação de
`habitats` do Mondego, entre Formoselha e Raiva, nos concelhos de
Montemor-o-Velho e Penacova, respetivamente, que visa a remoção de obstáculos
do rio e será objeto de uma candidatura ao Programa Operacional de Pescas.
“Esperamos
obter financiamento para fazermos essas intervenções”, afirmou o autarca
socialista.
O
projeto prevê a intervenção em vários açudes, quatro deles entre Coimbra e
Penacova, que também constituem “perigo para as descidas” do rio em
canoas, o que levou a Plataforma Mondego Vivo a aplaudir a iniciativa, em finais
de janeiro.
Criada
há dois anos, para contestar a construção de uma mini-hídrica em Penacova, a
Plataforma Mondego Vivo integra autarquias, associações diversas, empresas e a
Confraria da Lampreia.
“A
lampreia subia até Foz do Dão, quando não existiam as barragens” no
Mondego, realçou hoje Humberto Oliveira, que falava à Lusa à margem da
apresentação do 16.º Festival da Lampreia, que vai decorrer em Penacova, entre
sexta-feira e domingo.
A
nova escada de peixes de Coimbra, a funcionar há mais de um ano, junto à ponte
açude, mas ainda a título experimental, parece revelar já alguns
“resultados positivos”, referiu.
“Estamos
agora com a expectativa da escada de peixe”, adiantou, frisando que a
lampreia apenas “consegue subir até Penacova quando há grandes cheias”.
Com
a escada de Coimbra a funcionar, “começa a haver algumas espécies”
que passam para montante e que antes “não o faziam”, uma situação que
poderá ser melhorada com a futura realização de obras nos açudes.
Este
ano, segundo Humberto Oliveira, os 12 restaurantes que participam no Festival
da Lampreia podem praticar preços “mais em conta”, tendo a Câmara
Municipal decidido custear as sobremesas nas refeições servidas, como incentivo
à atividade económica do concelho e à preservação da gastronomia local
.