ÓBITO – “Zé Mocho” encontrado morto num caminho florestal em Miranda do Corvo

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Utente da ADFP, figura
omnipresente em Lorvão, durante muitos anos, tinha desaparecido no final de
Fevereiro José Salgueiro Soares tinha 63 anos Utente da ADFP passou grande
parte da sua vida no Hospital do Lorvão, onde era muito querido.
Operários que abriam um caminho
numa estrada florestal junto à povoação da Trémoa, para permitir a retirada de
madeira, encontraram, anteontem de manhã, o corpo de “Zé Mocho”, utente recente
da ADFP e, durante décadas, do Hospital Psiquiátrico de Lorvão, desaparecido
desde o dia 24 de Fevereiro.
O corpo de José Salgueiro Soares,
de 63 anos, conforme explicou o comandante dos Bombeiros Municipais de Miranda
do Corvo, estava num caminho em muito más condições, tanto mais que, para os madeireiros
conseguirem retirar a madeira, estava a ser reparado por máquinas pesadas. O
local fica na estrada dos Moinhos para Ceira, pouco depois da Trémoa.
Segundo Fernando Jorge, o corpo,
talvez devido às baixas temperaturas que se têm feito sentir, ainda não
apresentava grandes sinais de decomposição, mas, tendo sido analisado pelas autoridades, não tinha
sinais de crime. 
Há relatos de ter sido avistado,
logo a seguir ao desaparecimento, na estrada que liga Miranda do Corvo a Semide, havendo
a possibilidade de, desorientado, ter atravessado a serra, até perto da Trémoa,
onde viria ser encontrado o corpo, quase um mês depois.
“Zé Mocho” era uma figura incontornável
na vila de Lorvão, onde, vindo de Marrazes, Leiria, passou décadas como utente
do Hospital Psiquiátrico, gozando de inteira liberdade de movimentos e muito
carinho por parte dos residentes.
Com as alterações efectuadas no
âmbito da reestruturação dos hospitais de saúde mental da zona de Coimbra, foi
transferido para a sede da ADFP, em Miranda do Corvo os doentes mais profundos
foram para uma unidade situada em Rio de Vide – , de onde se ausentou, no dia
24 de Fevereiro. 
Junta de Freguesia ofereceu-se para pagar funeral em Lorvão
O presidente da Junta de Freguesia de Lorvão disse ontem ao Diário de Coimbra que se ofereceu para pagar o funeral, de forma a que a figura, muito popular entre os habitantes, fosse sepultado no cemitério local. Aliás, o “Zé Mocho” já não tem parentes directos em Marazes, Leiria, mas foi entendimento do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra realizar o funeral na cidade do Lis, o que aconteceu ontem.

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