O super espião *

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Há dias, tivemos conhecimento
após publicação em Diário da República que o ex-espião Jorge Silva Carvalho vai
ser readmitido na Administração Pública, com colocação na Presidência do
Conselho de Ministros, ainda sem funções definidas na carreira e categoria de
técnico superior.
Jorge Silva Carvalho desempenhou
funções no SIS de onde pediu a exoneração de funções para pouco depois iniciar
actividade privada no grupo Ongoing, onde esteve cerca de um ano, tendo saído
sem grande sucesso.
Da sua passagem pelo SIS resultou
uma acusação judicial de acesso indevido a dados pessoais, abuso de poder e
violação de segredo de Estado cujo julgamento se iniciará em breve. Ou seja, Jorge Silva Carvalho é
suspeito de crimes muito graves contra o Estado português, enquanto agente do
Estado ao serviço das secretas. Saiu para o sector privado, onde não teve sucesso,
e requereu, recentemente pela via judicial, o reingresso no mesmo Estado de
onde saiu e onde, alegadamente, terá praticado os já referidos crimes.
Ao que parece, o reingresso até
tem enquadramento legal, tendo o Governo antecipado qualquer decisão por
decreto assinado pelo Primeiro Ministro, Pedro Passos Coelho, e pelo Ministro
das Finanças, Victor Gaspar.

Ora, a gravidade dos factos de
que Jorge Silva Carvalho está acusado são demasiado graves e, a serem
verídicos, decorreram do exercício de actividade na Administração Pública onde agora
volta a ingressar por via do referido decreto. Mesmo com a lei a referir que
quem exerceu aquelas funções durante mais de seis anos tem direito a ser
integrado no mapa de pessoal da Secretaria Geral da Presidência do Conselho de Ministros,
em categoria equivalente à que possuir no serviço e no escalão em que se
encontrar posicionado, os dados conhecidos exigiam uma maior prudência e
sentido de responsabilidade da parte do Governo.
Já agora, o que sentirão os
milhares de portugueses que se sentem actualmente ameaçados pelas rescisões na
Administração Publica?
E o que dirão os quase um milhão
de desempregados portugueses anunciados pelo Governo para o ano de 2013? 
*Artigo de opinião originalmente publicado na edição impressa do Diário de Coimbra de 01.04.2013

2 COMENTÁRIOS

  1. Dirão que este artigo é politiquice, se a lei publicada pelo D. Sebastião retornado, implica que se o próprio quer um emprego de vínculo definitivo, tê-lo-a depois de 6 anos de serviço como espião.. Criticar o governo por seguir a lei que a AR aprovou, é como criticar o governo pelo mau tempo.

    Se não gostam da lei, não a tivessem aprovado. Agora não venham com tristezas por a lei estar a ser cumprida.