Reformado de Penacova usou redes sociais para enganar mulheres

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Fez-se passar por Mikael Carreira
e reuniu imagens em poses comprometedoras, que ameaçou tornar públicas. PJ
remeteu processo para Ministério Público

Reformado de Penacova “levou” um
conjunto de “mulheres ao engano”. Apresentando-se como Mikael Carreira, reuniu um
vasto álbum de poses eróticas, através das redes sociais. Algumas vítimas,
quando perceberam o logro, apresentaram queixa. A Polícia Judiciária “pegou” no
caso, identificou o homem, apreendeu as imagens e acaba de remeter o processo para
o Ministério Público, com proposta de acusação. O homem, casado, é suspeito da
prática de crimes de ameaça, devassa da vida privada, gravações de fotografias
ilícitas e falsidade informática. Crimes, cuja moldura penal não permitiu que
fosse detido.
Apesar de alguma idade, o
reformado revelou-se um “expert” na utilização das redes sociais e no
aproveitamento do “potencial” que estas oferecerem, mormente no que se refere à
possibilidade de comunicar sem rosto e, inclusivamente, “inventar” uma
personalidade. Foi isso mesmo que o homem fez, num registo que teve início em
2010. Para “começar”, o homem criou, de acordo com fonte ligada à investigação,
uma conta de mail usando o nome do cantor Mikael Carreira, filho do carismático
Tony Carreira.
Uma escolha à qual, certamente,
não será alheio o sucesso que o jovem tem junto do universo feminino. Mas criou, também,
uma conta no hotmail, igualmente com um falso nome, mas este, aparentemente,
sem “pergaminhos”.
Através das redes sociais – Hi 5,
MSN e Facebook – o reformado de Penacova, “transfigurado” em Mikael Carreira ou
em Sara Pereira
convenceu um conjunto de mulheres, adolescentes e jovens adultas, a posarem
para si, nuas e em posições eróticas. Elas acederam, despiram-se para a web
câmara, recriaram poses eróticas, imagens comprometedoras, que o reformado
arquivou religiosamente.
A situação repetiu-se diversas vezes
e o “alerta” só surgiu quando algumas mulheres, procurando pôr termo à “relação”,
se viram confrontadas com a ameaça, por parte do seu interlocutor desconhecido,
de publicitação das imagens comprometedoras que tinha em seu poder.
Uma das vítimas, da zona de Coimbra,
apresentou, em 2011, queixa na Directoria do Centro da Polícia Judiciária e,
segundo apurámos, houve, depois, «outras mulheres que avançaram com
procedimento criminal contra o suspeito». A PJ começou a investigar e, no princípio
do ano, “bateu à porta” do suspeito, que foi identificado e constituído
arguido. Em seu poder, segundo apurámos, o homem tinha um completo álbum, com
um número significativo de imagens comprometedores, que a PJ apreendeu, o mesmo
acontecendo com o equipamento informático. O número de vítimas será, no
entender da PJ, significativo.
Judiciária alerta para riscos das
redes sociais
Perante mais este conjunto de
crimes praticados através das redes sociais, a Directoria do Centro da Polícia
Judiciária alerta, mais uma vez, para os cuidados acrescidos que importa ter, no
sentido de evitar «os perigos inerentes ao uso indevido» destas redes. Atenção especial
devem merecer, refere a PJ, as situações em que «são estabelecidos contactos e
troca de imagens e ficheiros com pessoas desconhecidas». É fundamental, adverte
fonte ligada à investigação deste caso, «saber quem está do lado de lá».