Desilusão

0
3

Há muito tempo que deixei de acreditar no modo como se “faz” a política atual.

A sua mensagem está demasiado formatada para me atrair e olho sempre com absoluta desconfiança para a generalidade dos protagonistas.
Uns porque deliram atrás dos respetivos portões, fora do mundo e da sua realidade, abrigados no conforto das suas “ideologias” e dos seus manuais; outros que, ultrapassando esses portões, logo se perdem em deslumbramentos vários que rapidamente os ensimesmam e tornam no mesmo padrão medíocre e falso que tem condenado o país ao longo dos anos.
Mais chocante ainda, é ver os políticos da “nova geração” a organizarem-se em teoria e método pelos mesmos manuais em que apenas eles acreditam e que, para o avisado e comum mortal – fora das correntes e cadeados partidários – já consegue ver mais para além do tradicional palmo mensurável à frente do umbigo.
É lamentável ver as “promessas políticas” sem um módico de humildade, de queixo levantado a recolher vénias, por mais vazia que seja a sua mensagem, por mais patética que seja a sua prática.
Depois, na hora de estender a mão, mudam o chip para o modo “popular” e vão por ali fora, nivelando a mensagem – porque há que chegar às pessoas (reles chavão), prometendo tudo o que sabem não poder cumprir, enredando milhares de pessoas numa teia que apenas visa – pelo que se constata – massajar os respetivos egos, medir o comprimento dos órgãos e tratar da particularidade das suas vidas, ainda que se admitam exceções, as tais que confirmam empiricamente a regra.
Portanto, a desilusão é toda a que se possa pensar. E é incrível como a maioria dos políticos não consegue, pelo que se ouve, vê e lê, perceber uma coisa tão simples, que a passagem do tempo glosou, que os novos pressupostos do mundo estabeleceram, bem ou mal, conforme os juízos.
Exigem-se novos paradigmas, novas mentalidades e novas formas de atuar, algumas delas alicerçadas nos valores que as sociedades foram estabelecendo ao longo dos séculos e que por questões de “modernidade e vanguarda” se arrumaram numa gaveta. 
É no mínimo perigoso que se deite a perder, ante este deslumbre global, tudo o que se conquistou ao longo de muitas batalhas, sangue suor e lágrimas.
A velocidade do pulsar mundo é hoje demasiado elevada e é preciso abrandar a corrida rumo ao abismo.
Se isto cheira a moralismo e a conservadorismo, não creio, pelo contrário, que a perda de referenciais e a rendição à estupidificação generalizada seja o melhor caminho.
A menos que queiramos colocar ponto final em tudo isto. 
Se assim for, já não falta tudo.

AL

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui