Lavem-se as mãos aos políticos…

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Recentemente vi-me confrontada
com uma realidade relativamente nova. A escola em que trabalho foi, em conjunto com outras, incluída num mega-agrupamento – Agrupamento de Escolas de Oliveira do
Hospital. Este facto obriga a uma reflexão com várias vertentes mas que, pela
sua vastidão terão de sofrer parcelamento.


Vou-me limitar à Escola e seu povo.
Argumentam os políticos que os “Mega” permitem uma optimização dos recursos. A um
cidadão menos atento este argumento pode servir, mas basta pensar um pouco para verificar que o que na realidade se
pretende é desfazer um erro grave, que na minha perspectiva assume contornos de
crime público, com outro ainda mais grave desviando as consequências para
terceiros.


Analisemos o problema. Neste
concelho existem efectivamente mais escolas do que as comportáveis em termos de
população, isto é, o número de alunos não justifica tanta escola. Algumas
questões se devem colocar: aquando da sua construção eram necessárias essas
escolas? Os estudos demográficos apresentavam algum argumento nesse sentido ou
foram efectivamente feitos? A resposta a estas perguntas pode ser diferente mas
a conclusão é só uma e já assim era quando estas escolas surgiram como cogumelos. Não há, nem nunca
houve, alunos para tanta escola. Outra questão se impõe: se não eram
necessárias porque foram construídas? A resposta é simples, clara como água.
Estas escolas, tal como outras, e inúmeras auto-estradas
foram construídas como propaganda eleitoralista. Os políticos no poder usaram de
forma criminosa os dinheiros públicos para angariarem votos e dinheiro para os
seus partidos. É que as obras públicas permitem que o tráfico de influências se
manifeste. Estas obras tornam-se criminosas pois nelas se delapidou dinheiro de
todos que deveria ter sido bem usado, com responsabilidade, com transparência e
sobretudo com correcção.


Há muitas obras desnecessárias
mas as escolas são das mais graves. A construção de uma escola acarreta imensas
responsabilidades, desde logo a instalação de pessoal de diferentes sectores
profissionais. Essas pessoas assentam a sua vida nesse trabalho. Quando as
vacas emagrecem desmesuradamente e os tubarões continuam a abocanhar os maiores
e melhores bocados é preciso cortar. Os cortes efectuados pelos políticos são
cegos e afectam as pessoas de forma extremamente desumana. Mas o problema
mantêm-se. As escolas não são necessárias, a taxa de natalidade não permite que
se mantenham abertas mesmo que se criem turmas ideais de 15 alunos, horários
decentes para professores e outras coisas do género. Sem alunos as escolas não
se podem manter abertas!


A quem vai caber encerrá-las? Pela
lógica deveriam ser encerradas por quem, tendo em conta os benefícios próprios
e a sua reeleição, as abriu. Aqui apetece-me usar uma linguagem mais boçal,
semelhante ao carácter dos nossos políticos, pessoas torpes que só sabem fazer
porcaria, mas chegada a hora de limpar que seja outro a fazer o trabalhinho.


Os mega agrupamentos e agrupamentos
permitem que as escolas sejam encerradas sem que o poder político seja por isso
punido. Serão os Directores de Agrupamento a fazê-lo de forma mais ou menos
violenta, mais ou menos contestada, mas sem dúvida que as escolas se verão
despejadas de alunos e acabarão fechadas. É uma forma tão airosa de os
políticos se lavarem…


Claro que ficam questões
dolorosas pelo caminho, que fazer a tantas pessoas que vão ficar sem trabalho?
Como vai ser a vida delas? Alguém no poder político pensa no drama destas
pessoas (e suas famílias) desprovidas de trabalho, roubadas na sua dignidade? O
pior é que estas pessoas, chegada a hora de votar voltam a fazer o mesmo
de sempre…

Anabela Bragança