O Conselho de Estado

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Há poucos dias, realizou-se um Conselho
de Estado, presidido pelo Presidente da República 
mas convocado pelo comentador
televisivo Luís Marques Mendes.
Segundo a versão oficial, o
Conselho de Estado teria como objectivo discutir as perspectivas de Portugal
após a intervenção da troika, no âmbito de uma “união económica e monetária
efectiva e aprofundada”. Naturalmente, não era este o objectivo nem foi o que
se passou. Até porque, antes do “após” troika há ainda o “durante” a troika, em
que nos são impostas medidas – com a complacência do Governo – recessivas
economicamente e depressivas socialmente. Ou seja, antes do “após” há ainda,
como tenho escrito, que reflectir e corrigir o “durante” que tem sido
desastroso e que está a devastar o País.
A verdadeira razão para convocar
o Conselho de Estado e outra: o Presidente da República quis amparar com as
duas  mãos o Governo!
Num momento em que a contestação aumenta,
em que a base de apoio deste Governo diminuiu e a relação política e institucional
entre os partidos da coligação dá sinais quase permanentes de estar por um fio,
Cavaco Silva quis amparar Pedro Passos Coelho e Victor Gaspar.
O Conselho de Estado só veio
agravar mais a fragilidade deste Governo, das suas políticas e do próprio
Presidente da República. Provavelmente, o Presidente criou a ilusão que os
Conselheiros dariam o seu aval a sua pretensão. Mas não foi o que aconteceu
como seria previsível. Pelo contrario, o erro político do Presidente veio
isolar ainda mais o Governo e colocou-se a si próprio numa posição igualmente
frágil, tão sozinho politicamente quanto o Primeiro Ministro e o Ministro das
Finanças. Mais, evidenciou que o divórcio entre os portugueses de todos os sectores
sociais e políticos e o Governo se tornou evidente para além de parecer irreversível.
Mas há ainda mais uma conclusão
grave a retirar. Num dos momentos mais difíceis da história recente do País, os
portugueses precisavam de um Presidente da República forte e com lucidez
política que se colocasse acima do Executivo, com sentido crítico e que
indicasse o caminho quando ele parece não existir. Que fosse um agregador e mobilizador
de vontades quando a esperança e as forças parecem faltar.
Com esta atitude, o Presidente
colocou-se não ao lado mas dentro do próprio Governo como se fosse um dos seus
membros… E os portugueses já não acreditam nestas políticas nem nestes
governantes. Os resultados estão a vista. Portugal precisa urgentemente de um
novo ciclo!