SABERES E SABORES Confraria dos sabores de Coimbra entroniza novos confrades

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II Claustro Pleno – Cerimónia
reuniu confrades de honra, confrades efectivos e convidados, juntos pela defesa
e promoção dos valores gastronómicos da cidade
Promover, divulgar e defender a
doçaria conventual e a cozinha tradicional de Coimbra são os motivos de existir
da Confraria dos Sabores de Coimbra, criada há pouco mais de um ano. Ontem, o Mosteiro
de Santa Cruz recebeu o seu II Claustro Pleno, uma cerimónia em que foram entronizados
sete novos confrades efectivos e cinco confrades de honra. Todos provaram a
arrufada de Coimbra, como ditam as regras, e todos se comprometeram com a defesa
da gastronomia e do mais vasto património da cidade.
Homenageados pela sua reconhecida
entrega à cultura, a Confraria do Leitão da Bairrada – «que apadrinhou, sem reservas»,
esta nova confraria de Coimbra -, os gastrólogos e historiadores Gonçalo Reis Torgal
e Paulino Mota Tavares, o escultor galego Emílio Martinez e o professor da
Universidade de Santiago de Compostela – com vasta obra sobre os caminhos de
Santiago, nomeadamente os portugueses – Francisco Singul são, desde ontem,
confrades de honra da Confraria dos Sabores de Coimbra. Dos confrades efectivos
fazem agora parte Luísa Oliveira Abreu, Rosa Maria Campos, António Nunes Pinto,
Cristina Toscano Faria, Arsílio Carvalho, Adérito Fernandes Pereira e Augusto
Simões Alfaiate.
No capítulo de ontem, que começou
com prova de iguarias doces e salgadas, falou-se da ligação de Coimbra à Galiza
e a oração de sapiência feita por Vasco Mantas recordou a importância dos
caminhos de Santiago na recuperação «da réstia de unidade espiritual da Europa
, após a queda do império romano» e no papel que ainda hoje desempenham na união
entre os povos.
Investigar e proteger o que é
genuíno
Apesar da sua curta existência, a Confraria
dos Sabores de Coimbra realizou já um jantar para angariação de fundos para
recuperação dos Claustros da Sé Velha, e está a fazer uma recolha exaustiva de
toda a doçaria conventual e da cozinha tradicional, revelou a cancelária da Confraria dos
Sabores, Preciosa Vale. A arrufada, o pastel de Santa Clara, o manjar branco, o
“bom-bocado” são apenas alguns dos doces, a que se juntam os pratos típicos de
chanfana, o arroz de espigos ou de polvo.
Alerta para degradação do
património
O grão-vizir da confraria, Nélson
Correia Borges, admitiu que «não é fácil lutar contra hábitos instalados», que
privilegiam o lucro em detrimento da qualidade e genuinidade dos produtos.
Manifestou-se ainda preocupado com a degradação das tradições académicas e do
património edificado no centro histórico.  Numa sessão que contou com a presença da
vice-presidente da autarquia, Maria José Azevedo Santos, Nélson Correia Borges
lamentou que recentemente tenham sido demolidas duas casas seiscentistas, na
Rua do Moreno, devido às obras de construção da linha do Metro Mondego.
“Confrarias têm de estar mais
perto da sociedade”
A presidente da Federação das
Confrarias Gastronómicas considera que, no tempo de crise que o país atravessa, as confrarias têm um
papel social acrescido. A participar no II Capítulo da Confraria de Sabores de Coimbra
– cuja existência saudou – Olga Cavaleiro disse que «muitas aldeias, vilas e
cidades ganham com a dinamização cultural e económica» criada pelas confrarias,
bem como podem usufruir das suas acções solidárias. «Todas as confrarias devem
ter como fio condutor da sua acção» as populações em que se inserem, para que
«Portugal construa uma identidade cada vez mais forte».
Maria José Azevedo Santos partilhou
desta visão de Olga Cavaleiro, notando que as confrarias devem estar atentas à sociedade e viradas
para o futuro. Elogiando os confrades que «dão as suas horas para o bem comum», considerou a actividade
das confrarias «um serviço público» e sublinhou o «espírito de congregação e
altruísmo».