Especialista garante que escada de peixe cumpre objectivos

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Entre Janeiro e Abril deste ano, subiram a escada de peixe do Açude-Ponte cerca de 1.500 lampreias, três mil sargos e 8 mil tainhas, números que, na perspectiva de Pedro Raposo Almeida, docente da Universidade de Évora, demonstram a eficácia da estrutura, inaugurada em Coimbra em Dezembro de 2011.
Nas Jornadas do Ambiente, promovidas
pela Câmara Municipal de Coimbra, o professor universitário lamentou a pesca de
«toneladas de sáveis» no estuário do rio Mondego, realçando que, tal como estava
previsto nos estudos que antecederam a construção da passagem de peixe, o investimento
de 3,5 milhões de euros será reposto «em 10 anos», até porque estão em causa
espécies com «valor comercial», sublinhou Pedro Raposo Almeida.
Numa análise aos
«constrangimentos à emigração» que os peixes enfrentam, o docente da Universidade
de Évora criticou a pesca «irracional» nos estuários, que surge como primeiro problema,
a que se seguem as barragens.
Aliás, só no que nos respeita à
lampreia, a Península Ibérica perdeu 80% desta espécie, precisamente pelas
«agressões» durante o processo migratório, frisou, realçando que, no caso
concreto da escada de peixe do rio Mondego, será possível um «incremento de 250%
de habitat».
Recorde-se que dos 15
quilómetros, entre Formoselha e o Açude-Ponte, as espécies passam a ter mais de
37 quilómetros navegáveis.
Nas jornadas que o Departamento
de Qualidade de Vida da Câmara Municipal de Coimbra organizou para assinalar o
Dia do Ambiente, várias questões estiveram em análise, ontem, na Escola
Superior Agrária de Coimbra (ESAC).
José Vilhena, chefe de divisão de
parques e jardins do município, realçou que Coimbra «tem corredores verdes
quase perfeitos», acrescentando que, no âmbito da candidatura a Património da
Humanidade, tanto o Parque de Santa Cruz (Jardim da Sereia), como a Avenida Sá
da Bandeira estão ao abrigo de planos de salvaguarda. Tanto que, por exemplo,
para proceder ao abate de uma árvore é necessário «pedir autorização ao IGESPAR».
 
Já Carla Ferreira, da ESAC e Universidade
de Aveiro, alertou para a necessidade de alteração do uso do solo para prevenir
o risco de cheias, com destaque para o papel dos espaços verdes.