ENTREVISTA de Humberto Oliveira ao “A Comarca de Arganil”. A primeira em ambiente de pré-campanha autárquica

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«O próximo mandato do presidente da
Câmara de Penacova vai ser mais fácil do que o anterior..
» 
CA – Nestes
quatro anos como analisa a sua governação?
HO – Podemos
subdividi-la em quatro etapas. Para além da aprendizagem que foi necessário
fazer, tínhamos sobre a nossa responsabilidade a execução de uma série de obras
que tinham sido lançadas no anterior mandato. Estávamos perante um plano de
investimentos bastante grande, que não estava executado a 50 por cento e por
isso foi necessário dar-lhe essa execução, isto em 2009. Em 2011, como tivemos
de pagar as verbas dessas obras, esse plano de investimentos traduziu-se numa
grande pressão e sobre o passivo do município de Penacova, que no final de 2010
ficou em quase 4 milhões de euros, quase exclusivamente todo ele de curto
prazo. Para quem percebe de contas sabe o que é gerir a dívida em 2010. A partir de 2011
começámos a ter espaço para começar a levar a efeito os nossos projectos, que
destacamos: a requalificação urbana em Penacova um projecto que pela sua
dimensão, pela sua importância, pelo seu envolvimento financeiro, foi o que
teve mais importância. Paralelamente começou-se a desenhar um projecto de
promoção e de desenvolvimento de um conjunto de aspectos que são importantes
para nós, fundamentais em
Penacova. A
questão do turismo, do desenvolvimento económico,
a continuidade do investimento, nomeadamente nos centros escolares, como órgão
à cabeça. Paralelamente a este lado mais material fizemos um trajecto de
promoção de turismo, desenvolvimento económico, e promoção do território, confessando
que esta foi feita com alguma qualidade. E neste momento estamos num ponto de,
passados três anos e meio, ter lançado um conjunto de bases que são
fundamentais para podermos no próximo mandato, se assim o quiserem — esperamos
que sim — catapultar Penacova para um outro estado de desenvolvimento,
nomeadamente nesta questão da agressividade do território.
CA – Das obras realizadas qual a que maior
relevância significou para si e qual gostaria de ver realizada e não conseguiu
concretizar?
HO – A que
maior relevância teve neste mandato foi a requalificação do centro de Penacova,
a maior parte da execução feita neste mandato, como a biblioteca, a extensão de
saúde de S. Pedro de Alva, a EB1 de Penacova, diversas obras de saneamento que
estavam iniciadas no anterior mandato mas foram executadas neste mandato, da
Espinheira a Penacova, de Travanca do Mondego, da Rebordosa, a variante de
Miro, o Parque Empresarial da Alagoa, já neste mandato. Para aqueles que por
vezes dizem que a obra foi pouca, é mentira, porque grande parte dos
investimentos que estavam lançados foram executados neste mandato, como já
referi. Destaque para outras obras que estão em desenvolvimento: tribunal
judicial, algumas pavimentações, infelizmente não tantas quantas necessárias.
Os planos financeiros no planos e aquela obra que gostaria de concluído, mas
que está em execução o Centro Educativo de Lorvão, que b uma paragem por
motivos de algumas dificuldades financeiras do empreitei mas tudo foi
resolvido.
CA-  Se
for reeleito, qual o projecto projectos que tem em mente realizar?  O Turismo continuará a ser uma meta a ser
desenvolvida com as realizações que a sua orgânica envolve?
HO – Obviamente
que sim, porque encaro o turismo como uma questão de promoção de um espaço territorial
que, como tenho dito, não pode ser Penacova por si só, visto que tem que haver
uma micro região a ter um projecto. Mas nós temos projectos de pequenas partes
que, com a soma delas, podem fazer um duo interessante.
Destaco,
por exemplo, o investimento que temos feito na pista de pesca e nas praias,
tanto na de Reconquinho, que pela primeira vez foi galardoada com o galardão de
bandeira azul de praia acessível, não esquecendo as outras praias são
utilizadas pelos munícipes de Penacova e de visitantes, seja nas freguesias
Oliveira do Mondego, Friúmes, S. Pedro Alva ou de Lorvão. Todos os anos é efectuado
grande investimento, que pode ter grande representatividade financeira no
global, mas que se traduz. Ainda re temente se fizeram pequenas melhor no
acesso à praia do Reconquinho, melhorou-se um percurso pedestre que no futuro pode
ser um circuito entre a ponte Penacova e Reconquinho e que numa lógica se
poderá traduzir numa ciclovia nos possa ligar Coimbra-Figueira da Foz e Santa
Comba-Viseu que ponha esta rei como dos principais pontos da Europa redes cicloviáveis
e temos projectos fluidos aprovados para a requalifica dos Moinhos da Atalhada,
da Livraria Mondego, da Ribeira de Arcos, em Lorvão Em termos de
turismo também gostaria ver nas outras vilas do concelho, S. Pedro de Alva e
Lorvão, uma regeneração urbana como se fez em Penacova, tornando espaço público
mais agradável, que te capacidade para atrair pessoas. A este nível serão os
grandes desafios dos próximos quatro anos.

CA- O Social e a Educação são itinerários que
continuarão a ser percorridos?
HO – Têm que
ser obrigatoriamente. E podemos dar passos significativos melhoria da nossa
qualidade de serviço nomeadamente na questão da Educação. Podemos e devemos ser
mais agressivos na elaboração de projectos para a í da Educação. Na área do
Social, acho temos um trabalho de grande qualidade .
A questão
que se coloca neste momento equidade cada vez maior de que estas questões do
Social podem ter, atendendo cenário macroeconómico que estamos tiver. No
entanto, temos que estar atentos a qualquer situação que possa ir de novo e que
tenha que ter o nosso acompanhamento.
Na área da
Educação é uma das vertentes onde os municípios mais investem. O cidadão comum
nem tem a noção disso. Mas a verdade é que a maior parte dos recursos dos
municípios são para Educação, como refeições, transportes, etc. Teremos que
continuar a trabalhar a desenvolver na área das infra-estruturas, que é uma
responsabilidade nossa, e ser mais agressivos e interventivos na elaboração dos
projectos educativos.
CA – Estando à porta o feriado municipal, que é
sobre a figura de Dr. António José de Almeida,
qual a situação da aquisição de sua casa, em Vale da Vinha, para museu ou casa/memória?
HO – Neste
momento temos de estudar as formas possíveis de podermos adquirir a casa do Dr.
António José de Almeida, para a elaboração de um projecto que o ligue à figura e à época que ele representa. Pretendemos, a breve prazo, respostas
para este facto e para poder transformar aquele espaço num espaço de promoção
de Penacova e da figura do António José de Almeida.
CA – Ernesto Coelho, um elemento que o acompanhou nestes quatro anos, já não
faz parte da sua lista. Por quê?
HO – Em
relação ao Eng. Ernesto Coelho aproveito esta oportunidade para dar o meu testemunho
da qualidade de serviço que restou a Penacova nestes quatro anos enquanto
vice-presidente do município. Lembro que quando fui convidado, uma das questões
que coloquei sempre era haver alguém com alguma experiência na equipa no
sentido de alguma forma ser fácil para nós na adaptação a uma realidade que era
o exercício de um lato autárquico. Dentro das pessoas apontadas, o Eng. Ernesto
Coelho foi o escolhido e bem escolhido Nestes quatro fez um trabalho brilhante,
de grande qualidade, de grande acompanhamento e grande aproximação. Mas como
tudo na por vezes é inovar, encontrar novas s, novas pessoas, portanto, aqui
foi questão de uma escolha geracional por uma pessoa que fez um bom trabalho enquanto
presidente de Junta, que tem competências óbvias para ocupar o lugar. Contudo,
não se transformou aqui uma despromoção de um por um terceiro. Foi claramente a
ideia de uma renovação geracional e não vale a pena escondê-lo e também para
manter uma representatividade geográfica no concelho de Penacova, que, como
sabemos, é a terra dos três concelhos e, assim, termos a possibilidade de
abranger todos os lados e por isso o Dr. João Azadinho ser o escolhido para ir
na lista e não o Eng. Coelho.
CA – Como analisa o papel da Oposição nestes quatro anos?
HO – A
Oposição faz o seu trabalho, umas vezes mais crítica, outras vezes mais
agreste, tivemos momentos de tudo. Na Oposição o que por vezes me incomoda, e
reconheço isso, é quando se utiliza a demagogia, quando se falta à verdade. Sabemos que na Oposição se
faz esse papel, mas essa parte incomoda-me. A excepção disso, obviamente que a
Oposição critica com toda a razão e vai continuar a criticar, seja qual for o partido
que estiver na Oposição. As Oposições têm papel importante a desempenhar, mesmo
com demagogias e faltas à verdade.
No entanto, lembro que estamos em democracia.
CA – Que leitura faz desta sua experiência como
autarca?
HO – Sendo
suspeito para falar, ser juiz em causa própria, é sempre difícil, já que nunca
gostei de o ser. No entanto, digo que gostei e estou a gostar da experiência.
Posso não concordar com a lei da imitação de mandatos, mas ainda bem que ela existe, porque nós por vezes
também cristalizamos e é preciso novas pessoas, novas ideias. Quem seguir a mim
pôde ser pior do que eu, mas com certeza que o fará de uma maneira diferente.
Porque eu sou eu, com a minha personalidade, com a minha história, com os meus
defeitos. De facto é preciso as pessoas mudarem para não haver a tal
cristalização. Mas por outro lado compreendo aqueles dinossauros que se
eternizaram na política. Há sempre alguma coisa para fazer. Se por alguma
razão, espero que não, venha a perder as eleições em Setembro, eu sairei com o
peso na consciência de não ter concretizado a intervenção na Serra da Atalhada,
como está previsto, não termos concluído a questão dos percursos pedestres
divulgados, não termos ajudado a fazer a tal rede cicloviável, não ter feito a
regeneração urbana de Lorvão e S. Pedro de Alva, não ter concluído o Centro
Educativo de Lorvão. De facto há sempre alguma coisa para acrescentar e por
isso começo a entender os autarcas que estão demasiado tempo no poder. Confesso
que o nosso balanço é positivo e
tenho perfeita consciência que se as condições financeiras dos Municípios se
mantiverem, nos próximos anos poderá ser mais difícil, dos que os anteriores,
na redução das receitas, que fomos conseguindo acomodar e tendo pelo meio a Lei
dos Compromissos, o que não facilitou a gestão financeira dos municípios, pelo
menos para a execução física de obra, seja ela material ou imaterial, mas
mantendo as condições financeiras do município, eu julgo que o próximo mandato
do presidente da Câmara de Penacova vai ser mais fácil do que o anterior. Contudo, se aqueles pontos
que estamos a conseguir a atingir, que só falta ligá-los, não os concretizar,
ficarei com alguma frustração, porque, com eles, será mais um valor a
acrescentar à qualidade de
Penacova e dos penacovenese
s.
Entrevista originalmente publicada na edição impressa de A Comarca de Arganil de 11.07.2013 
Jornalista José Travassos Vasconcelos – Transcrição Pedro Viseu

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