PATRIMÓNIO – O Apocalipse do Lorvão

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O Apocalipse é o último livro do Novo Testamento, e significa a
revelação do fim do mundo pecador, da luta entre o bem e o mal que terminará
com a vitória de Cristo. Tal como esta realidade, por inacessível à razão, teve
que ser revelada por Cristo a S. João (para lhe mostrar o triunfo do bem sobre
o mal e não para aterrorizar), o texto do Apocalipse teve que ser comentado em
escritos alegóricos, simbólicos, para ser mais facilmente inteligível. Os
cristãos foram perseguidos, humilhados e marginalizados; o imperador romano era
divinizado e quem não o adorasse era afastado dos bens materiais e por vezes
martirizado. Por este livro os cristãos ficaram convictos de que o império
romano, por todos considerado perpétuo, cairia também e Cristo dominaria tudo e
todos. O dragão é aqui o símbolo do demónio e do império romano e de todos os
outros impérios que não o de Cristo, que serão vencidos por Cristo. O Antigo
Testamento é património dos judeus, o «povo de Deus» que teria a Terra por
herança, enquanto o Apocalipse vai mais além, pois se destina ao «povo de Deus»
e a todos os outros povos. O Apocalipse é uma narração profética simbólica para
pacificar os cristãos e para os exortar a manterem a fé. A linguagem é
simbólica para os pagãos não entenderem. Mas o Apocalipse precisava ele próprio
de ser revelado ao comum dos cristãos e por isso cerca de 786 o Pe Beato de
Liébana das Astúrias escreveu um comentário de que existem 23 cópias. O
Apocalipse do Lorvão, de autoria de Egeas, baseia-se no Comentário de Beato de
Liébana, do séc. VIII.


Não fosse Alexandre Herculano e, provavelmente, o Apocalipse
de Lorvão estaria perdido. Foi o escritor e jornalista que, em 1853, depois da
extinção das ordens religiosas, percorreu os mosteiros portugueses para
recolher documentos que considerava importantes para a história do país. No 
mosteiro de S. Mamede do Lorvão, em Penacova, encontrou este manuscrito, com 66 iluminuras feitas em
1189 pelo monge Egas para ilustrar o Apocalipse.

O Apocalipse do Lorvão pertenceu ao mosteiro de São Mamede do Lorvão, e actualmente encontra-se na Torre do Tombo, a quem foi confiada a sua guarda e conservação.

O Apocalipse do Lorvão inclui várias  ilustrações, sendo que
parte delas poderão ser visualizadas AQUI