GASTRONOMIA – Míscaros e sarrabulho à mesa em Penacova

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O arroz de míscaros é, sem dúvida, o prato mais
solicitado, mas também podem ser servidos com batata cozida ou simplesmente de
cebolada, como entrada. Estas são algumas das sugestões que oferecem, até 15 de
Dezembro, 13 restaurantes do concelho de Penacova. Aos míscaros junta-se o
sarrabulho, um «prato típico da matança», refere Fernanda Veiga, responsável
pelo pelouro da cultura na Câmara, recordando que «Novembro e Dezembro são os
meses em que, por tradição, as famílias matavam o porco, que garantia o
sustento para largos meses ». O prato, «confeccionado com os miúdos do porco e sangue
era servido nessa altura », adianta, fazendo notar que o facto de os
restaurantes manterem, nos respectivos menus, estas especialidades, constitui
uma forma de «valorizar as nossas tradições, os usos e costumes das nossas gentes,
mantendo viva a memória colectiva».


O “Mês dos Míscaros e do Sarrabulho” vai na sua quarta edição
e representa uma “inovação” trazida pelo executivo de Humberto Oliveira, no
sentido da promoção da gastronomia e divulgação do concelho, «contribuindo para
a promoção da economia local», enfatiza Fernanda Veiga. Até então, recorda a
vereadora, «apenas se destacava a lampreia, o nosso “ex libris”», diz, «que sempre
atraiu muitos visitantes ». Mas, «há outros pratos de excelência em Penacova
que os restaurantes servem, são muito procurados e que importava promover e
valorizar, conferindo-lhes uma “marca”». E foi essa ordem de razões que levou à
criação deste evento, com encontro marcado até meados de Dezembro.


A vereadora recorda que «no concelho há uma tradição muito
forte na apanha de míscaros » que, consoante as condições atmosféricas,
garantem uma colheita mais ou menos farta. Fernanda Veiga sublinha, também o
trabalho de formação que a Confraria da Lampreia tem vindo a fazer, com a promoção
de workshops que permitem conhecer os míscaros. De resto, as solicitações são tantas,
que os míscaros selvagens “não chegam para as encomendas”, tendo os
restaurantes de recorrer aos de estufa. «Mas a qualidade é praticamente a
mesma», assegura.


Para o próximo mês, o destaque é dado ao cabrito, num evento
apadrinhado pela Turismo do Centro.


Jornalista Manuela Ventura