TRÁFICO DE DROGA – Haxixe traficado na Lousã era comprado no Porto

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Dois jovens residentes na vila
envolveram-se no tráfico, um deles negociando, através de intermediários,
com um fornecedor da invicta


Num processo muito confuso, o Tribunal
Judicial de Penacova julgou ontem oito arguidos, acusados de tráfico de droga,
havendo o ponto comum de, pelo menos dois, comercializarem na zona da Lousã.
Na verdade, o ponto inicial da
investigação até foi uma plantação megalómana encontrada na residência de H.
A., no concelho de Poiares, mas, na verdade, foram dois arguidos residentes na
Lousã, os mais visados, tendo confessado alguma prática, ainda que sem lucro.
A. C. admitiu que, perante as dificuldades
em manter um estabelecimento comercial, se dedicou ao tráfico de haxixe,
indo comprar a Lisboa, porque «estava endividado».
Na altura em que a Polícia Judiciária
realizou buscas a sua casa, tinha grande quantidade de haxixe, assim como uma
estufa de cerca de um metro quadrado, que «dava 50 gramas de três em três
meses».
Já R.L., também residente na Lousã, embora
assumisse que comprava droga e a disponibilizava a outros – foram ouvidas
várias testemunhas, consumidores habituais – referiu que, graças a
conhecimentos, fazia uma espécie de “vaquinha” e mandava vir do Porto.
O juíz presidente do colectivo, perante a
sua insistência nesta tese, descreveu inúmeras intercepções telefónicas em que
o arguido ora aceitava encomendas, como pedia ao seu fornecedor mais droga,
para satisfazer os «amigos que pediam ». O seu fornecedor em Coimbra eram P. B.
e a sua companheira, ambos arguidos, que assumiram a compra do haxixe na cidade
invicta, pelo facto da droga vendida em Coimbra ser de fraca qualidade e de
melhor preço no Porto.
Ambos referiram que só mandavam vir para
consumo próprio e que tinham «lucro zero» na operação de destinar parte a R.L.
que, como atestaram várias testemunhas, depois revendia um pouco por todo o
concelho da Lousã.
No rol de arguidos inclui-se a mãe de
P.B., que faltou ao julgamento devido a graves problemas de saúde, uma vez que,
pelo menos em duas ocasiões, se deslocou ao Porto para fazer a compra dos
estupefacientes para o filho.
Um dos arguidos, madeireiro de profissão,
a quem nada foi encontrado de ilícito, não falou em tribunal e foi ilibado por
A. C., tendo o seu advogado alegado que nem percebia como este poderia ser
arguido, uma vez que, não dizendo, «disse tanto como as testemunhas que aqui
estiveram», pelo que pediu a absolvição.
Restam M.V., que assegurou manter uma
produção para consumo próprio, sem quaisquer intenções de venda, e H.A., cuja
enorme plantação seria, nas palavras que disse ontem ao tribunal, para «fumar
em casa».
Com nuances diferentes, os diferentes
advogados pediram ao tribunal a suspensão das penas, tendo em conta a
inserção social dos arguidos, bem como o contributos que todos deram para o
conhecimento do processo

“Parecia uma floresta”
O arguido H.A. assegurou que nunca vendeu a ninguém e que queria apenas produto para consumir, porque, efectivamente não tem posses ou rendimentos.
Perante a quantidade de plantas encontradas, o juiz presidente não deixou de reparar que «basta olhar para as fotografias para perceber que parecia uma floresta.


Jornalista José Carlos Salgueiro