ASSALTO – Arguidos confessaram carjacking e assalto a funcionário dos CTT

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Os três indivíduos planearam o crime, roubaram um carro em Aveiro e levaram 18 mil euros, no assalto ao funcionário dos correios, com recurso a gás pimenta

À
excepção do discurso um pouco incerto de um dos arguidos, o Tribunal Judicial
de Penacova obteve ontem a confissão «integral e sem reservas» dos acusados de
terem praticado um crime de carjacking, na madrugada de dia 10 de Setembro de
2012, no Rossio, em Aveiro, perpetrando horas 
mais
tarde um assalto a um funcionário dos CTT de Penacova, queimando depois o
veículo, junto à Barragem da Aguieira.
Na
primeira sessão, que ontem teve lugar no novo edifício do tribunal, dois dos
arguidos confessaram integralmente os factos da acusação, uma confissão que só
não foi exactamente coincidente com as declarações do autor material dos dois
roubos e do incêndio.
O jovem,
de Barrô, Águeda, que fará 27 anos em Abril, começou por confessar ter sido o
autor do ataque com gás pimenta ao funcionário dos CTT, mas negou ter estado um
mês antes numa reunião preparatória, ou mesmo que tivesse participado no
carjacking em Aveiro, mas voltaria atrás, ainda que reticente, após as
declarações dos comparsas. Aliás, os dois outros elementos, um homem de 34
anos, de Santa Comba Dão, e outro, de 30, de S. Tomé, mas residente em Valongo do
Vouga, não mostraram reservas em confessar integralmente os factos, revelando que
as acções mais relevantes 
foram
realizadas pelo primeiro.
Com
efeito, o arguido de Barrô terá sido quem primeiro  jogou a mão ao dono do carro em Aveiro,
deitando-o ao chão e conduzindo a viatura, foi quem, sozinho, atacou o
funcionário dos CTT, e foi também o autor do incêndio que consumiu a viatura.
«Fui eu quem chegou o isqueiro ao carro»,
disse.
O rapaz
de Santa Comba Dão, que primeiro informou os outros da rotina feita pelos CTT
em Penacova, justificou a sua actuação pelo facto de estar em litígio com a sua
antiga companheira, acerca da posse do filho, dizendo que fez o assalto porque
pretendia fugir do país com a criança.
Já o
jovem africano, que já tinha estado preso, afirmou ter recusado inicialmente
entrar neste projecto, indo mais por necessidade de dinheiro para iniciar um
negócio em África. «Falaram em 50 ou 60 mil euros, se soubesse que era esta quantia,
não tinha feito isto», disse.
Aquele a
quem ontem foi imputada a realização dos principais factos, ainda que todos confessassem
que foram feitos em concordância, também justificou com as circunstâncias da
vida, nomeadamente o desemprego e dívidas de crédito, mas, não deixou de
confessar a compra de uma mota com parte do dinheiro.
O
funcionário dos correios transportava 25 mil euros, mas, na luta, sobraram
apenas 18 mil, que os três arguidos dividiram em partes iguais
O julgamento de ontem realizou-se já nas novas
instalações do Tribunal Judicial de Penacova, um projecto da Câmara Municipal
que, desta forma, garantiu, perante a tutela, a continuidade do tribunal de
comarca. O novo tribunal resulta da adaptação da antiga Escola Primária Maria
Máxima, no largo D. Amélia.

Sendo notória a exiguidade da sala de
audiências, as instalações, inauguradas na semana passada, primam pelo aspecto
moderno, sendo uma grande vantagem, para magistrados, causídicos, arguidos,
funcionários e público, além das forças de segurança, a existência de um
estacionamento generoso.

Jornalista : José Carlos Salgueiro –  Diário de Coimbra de 11.02.2014