AUTARQUIAS contra Estado nas Águas do Mondego

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Conduta
da empresa do Estado levou a rutura entre acionistas. Não se trata de uma mera
brincadeira com palavras sobre a atividade diária das Águas do Mondego (AdM). É
mais do que isso: expressa o ambiente de 
tensão
que se vive entre o Estado – que tutela o acionista maioritário da AdM (51%), que
é a Águas de Portugal (AdP), e os restantes acionistas, que são 12 autarquias e
a empresa municipal Águas de Coimbra.
Durante
a assembleia geral da AdM de ontem, os autarcas decidiram abandonar a reunião
perante uma “postura centralista, não aberta ao diálogo” da AdP, agindo de “forma
ditatorial e imperativa”, desabafou o presidente da Câmara Municipal de Coimbra,
Manuel Machado, que se pronunciou em representação de todos os municípios acionistas
da AdM, que detêm apenas 49% do capital social da sociedade.
A
atitude ocorreu quando o acionista maioritário propôs a suspensão da assembleia
geral, que o próprio 
votou
favoravelmente, mas que mereceu os votos contrários dos municípios. A suspensão
inviabilizou, 
concretamente,
a eleição dos novos corpos sociais (que já deveriam ter sido escolhidos “em
março de 2013”), alertou Manuel Machado. O autarca de Coimbra chegou a dizer
que a “conduta da AdP põe em causa o pacto social”, queixando-se de que “não é aceitável
que a informação seja sonegada”, como disse 
ter
acontecido lá dentro, por parte da AdP.
Outros
dos pontos de divergência foi a deliberação de distribuir dividendos no valor
de 1.5 milhões de euros, que teve os voto contra dos municípios acionistas. Os
autarcas presentes consideraram que, com este dinheiro, teria sido preferível fazer
mais investimentos ou contribuir para a redução das tarifas cobradas ao
consumidor final.
De
acordo com os números finais apresentados pela AdM, os principais indicadores financeiros
da empresa 
“registaram
melhorias”, com o volume de negócios a crescer dois milhões, para 21 milhões de
euros 
A
nível de atividade registada em 2013, a empresa teve “um aumento do
fornecimento de água” de 1,3 
milhões
de m3. Atualmente, a AdM fornece água “em qualidade e quantidade” a cerca de
299 mil habitantes, tratando as águas residuais de 248 mil habitantes.
| António Rosado