BOMBEIROS – Sócios pedem fim do protocolo com a Cruz Vermelha

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Assembleia Geral dos bombeiros foi unânime em pedir a revogação do acordo firmado pela autarquia

A Associação Humanitária dos Bombeiros
Voluntários vai escrever uma missiva à Câmara Municipal, Assembleia Municipal, partidos
políticos e juntas de freguesia, a reivindicar e mesmo exigir que sejam
repostos os valores que da receita que foram perdidos, depois da Cruz Vermelha
do Baixo Mondego (CVBM) ter entrado no “negócio” do transportes de doentes no
município, com aval da autarquia.
Como explicou ontem o presidente da
direcção, Paulo Dias, o que os sócios aprovaram por unanimidade, na Assembleia-Geral
de sexta-feira à noite, é a exigência da «revogação imediata do contrato entre
a Câmara Municipal de Penacova e a Cruz Vermelha do Baixo Mondego», porque «o
que está em causa é garantir a sustentabilidade para podermos prestar socorro
às populações».
Paulo Dias relembrou que, «as
despesas correntes da associação rondam os 950 mil euros e a facturação de
transporte de doentes é de cerca de 500 mil», mais de metade, o que dá uma
ideia da importância deste serviço para a própria sustentabilidade financeira, explicando
o dirigente que as verbas facturadas com o transporte de doentes servem ainda
para a aquisição de equipamento de protecção individual, renovação de
equipamentos e formação dos bombeiros»:
Por outro lado, segundo o presidente
da direcção, «todos os apoios externos são de investimento, mas não de despesa corrente»,
gracejando que, «quase que se torna mais fácil comprar uma viatura nova do que
pagar as facturas da água e luz. Dizendo que na altura da assinatura do protocolo
avisou o presidente da autarquia para os efeitos do acordo, Paulo Dias,
recusando qualquer tipo de conflito constitucional com a Cruz Vermelha,
explicou que «o paradigma dos bombeiros é usar o dinheiro do transporte de
doentes para suportar os custos com o socorro às populações».
«A Cruz Vermelha faz exactamente o
contrário, usa a possibilidade de vir a prestar socorro para angariar
transporte de doentes», disse ainda, garantindo que a ambulância de socorro que
a (CVBM) tem estacionada na secção de Laborins, S. Pedro de Alva, não assegura o
serviço em permanência, mas apenas quando há voluntários disponíveis. Pelo
contrário, os Bombeiros Voluntários de Penacova estão ao serviço da população
24 horas por dia.

Originalmente publicado na edição impressa do Diário de Coimbra de 30.03.2014 – não disponível online