XI CAPÍTULO CONFRARIA DA LAMPREIA – Oito mil lampreias subiram escada de peixe em 2013

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Número de espécies que subiram o rio espantou equipa de monitorização, o que, segundo a Confraria da Lampreia, justifica a necessidade da obra

Só no ano passado, subiram a escada
de peixe, em Coimbra, oito mil lampreias e, no universo das espécies piscícolas
subiram o rio naquela zona mais de 800 mil exemplares. «O açude em Coimbra tem,
finalmente, uma verdadeira escada de peixe», disse ontem o mordomo-mor da
Confraria da Lampreia, durante a realização do XI Capítulo da Confraria,
frisando ainda que, só em Janeiro deste ano, e ainda sem relatórios finais, já
terão subido a escada de peixe mais lampreias do que em todo o ano passado.
Fernando Lopes deu conta dos números
para mostrar a importância que constitui a obra que, afinal, custou «4,5
milhões de euros, mas logo no primeiro no representou um resultado muito
significativo». Na verdade, reconhece, o que conseguiu «espantou» a própria equipa
de monitorização da escada de peixe.
«Estamos contentes com isto», assumiu
o mordomo-mor, dando conta de uma outra vitória alcançada pela Confraria da
Lampreia: o projecto de requalificação dos açudes do Rio Mondego, que está a
ser  desenvolvido pela Universidade de
Évora, no qual a Confraria é parceira, foi aprovado, estando agora em condições
de começar a ser implantado.
Nem tudo são boas notícias, alertou,
na cerimónia que permitiu a entronização de quatro novos confrades na Confraria
da Lampreia. «Há ainda problemas para ultrapassar», como é o caso da
mini-hídrica que o Governo pretende construir no rio Mondego, entre Penacova e
Coimbra, cujos estudos prévios já mostraram que o resultado económico que virá a
ser conseguido não compensa
a sua construção. «No segundo estudo
de impacte ambiental, mais uma vez se aponta que isto (mini-hídrica) não tem
relevância económica nem do ponto de vista energético », disse. «O paredão de
nove ou 10 metros
não produz electricidade que justifique e nós esperamos que os responsáveis
vejam este estudo», desejou Fernando
Lopes.
Todas estas lutas têm por finalidade defender
as espécies que sobem o rio, em especial a lampreia que dá o nome à confraria. São
já sete dezenas os confrades que o fazem, «sinal que a confraria tem capacidade
e vitalidade para os desafios que se vão apresentar», considera o mordomo-mor.
Ontem, no Centro Cultural de Penacova
juntaram-se mais quatro elementos efectivos, durante a cerimónia do XI Capítulo
da Confraria: Nutriva (empresa), Idealtower (grupo empresarial), Carlos Lucas
(enólogo) e Vítor Seco (da área da hotelaria e formador). 

Texto de Margarida Alvarinhas – não disponivel online