RIO MONDEGO vai ter mais três passagens de peixes

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Até Setembro de 2015, vão
ser construídas três novas passagens de peixes no Rio Mondego, no âmbito do
projecto de “Reabilitação dos Habitats de Peixes Diádromos na Bacia
Hidrográfica do Mondego”, que implica um investimento total na ordem de 1,3
milhões de euros, co-financiado pelo PROMAR – Programa Operacional de Pescas.

Em causa estão «passagens
naturalizadas», que representam entre 400 a 500 mil euros do investimento total do
projecto, a implantar na Praia Fluvial de Palheiros/Zorro (Coimbra), Praia
Fluvial do Reconquinho (Penacova) e Loredo (Vila Nova de Poiares), e que vêm
complementar o papel da escada de peixe do açude-ponte, utilizada, em 2013, por cerca
de 1,3 milhões de espécies 
piscícolas.
Além da construção dos
corredores para peixes, a reabilitação dos habitats na bacia hidrográfica do
Mondego, tendo em conta o ponto de vista ambiental e económico para a região numa
óptica de compatibilização de usos do rio, prevê também uma componente de sensibilização
e educação ambiental nos diversos concelhos.
Nesta estratégia estão
envolvidas várias entidades, que ontem assinaram o protocolo para a
concretização do projecto. São elas a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a Universidade
de Évora, as câmaras de Coimbra, Penacova e Vila Nova de Poiares, o Fluviário de
Mora, o Centro de Ocenaografia e o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas.
«É possível ter
rentabilidade económica e conservação da natureza sem incompatibilidade »,
destaca Pedro Raposo de Almeida, docente da Universidade de Évora, alertando para
um dos «flagelos» do Mondego, a captura ilegal de meixão, que classifica como «um
crime ambiental e económico com contornos mafiosos».
Os autarcas elogiam o
projecto, mas, alertam que, ao mesmo tempo que se estão a eliminar «obstáculos»
à passagem dos peixes, se perspectivam outros, como a construção da
mini-hídrica do Mondego, a montante do açude-ponte. Carlos Cidade (Coimbra), Humberto
Oliveira (Penacova), 
João Miguel Henriques (Poiares)
consideram que o aproveitamento hidroeléctrico «é contraditório» com a construção
das passagens.
O secretário de Estado
Paulo Lemos alega que não se pode pronunciar enquanto não existir uma proposta
de Avaliação de Impacte Ambiental. 
1,3 milhões utilizaram escada
Resultado de um
investimento na ordem dos 3,5 milhões de euros, a escada de peixe do açude
registou, em 2013, a
passagem de cerca de 1,3 milhões de peixes, a maioria dos quais de jusante para
montante. De acordo com os registos, mais de 8300 lampreias subiram o rio,
ultrapassando o número de sáveis e savelhas, na ordem dos 7500. A tainha é a espécie
mais abundante, com 880.205 movimentos para montante e cerca de 415 mil para
jusante, sendo também de destacar o barbo, a boga, a enguia ou a truta. |
Espécies ameaçadas
O secretário de Estado do
Ambiente considera que a escada de peixe é «importante, quer do ponto de vista
ambiental, quer do ponto de vista económico, porque a maior parte dos peixes que
passa têm valor comercial ». Paulo Lemos sensibiliza ainda os pescadores para a
necessidade de uma «pesca sustentável », tendo em conta a preservação das
espécies, algumas delas – como a lampreia, sável, enguia e savelha – ameaçadas.