Uma Europa pela qual vale a pena participar

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No momento em que escrevo este artigo – por motivos de
publicação do jornal – ainda são algumas as horas que faltam para se saber o
resultado eleitoral das Eleições Europeias.

Não há dúvida, para ninguém
minimamente atento, que estas eleições europeias são as mais importantes de
sempre para Portugal e para os portugueses. No entanto, tal como noutras
eleições da mesma natureza, prevê-se que a abstenção seja superior a sessenta
por cento o que demonstra que a atenção dispensada pelos eleitores não é proporcional
à importância das escolhas que somos chamados a fazer.
De facto, muito das nossas vidas
passa hoje pelo que se decide na Europa. Económica, financeira e socialmente,
as grandes decisões e as soluções para os problemas que passamos, estão muito
mais na Europa do que em Portugal.
Se é verdade que nos últimos anos as
políticas europeias têm fustigado o País com uma  usteridade sem piedade, também é verdade que
a integração europeia de Portugal trouxe benefícios importantes e, a título de
exemplo, refiram-se os fundos estruturais de que beneficiámos nas últimas
décadas que em muito contribuíram
para a melhoria das condições de vida das pessoas e para o desenvolvimento do
País.
A União Europeia teve e continua a
ter um papel relevante na manutenção da paz na Europa, aspecto que muitas vezes
é pouco considerado e até esquecido e que, naturalmente, éde insubstituível
valor. Num Continente onde a História nos ensina que foram curtos os períodos
de paz, o projecto europeu teve um papel muito importante no pós segunda guerra
mundial, não só na construção e desenvolvimento da Europa mas também na
manutenção da paz.
Por estas e muitas outras razões, sou
de opinião que, sem dúvida, a União Europeia tem valido a pena e que a
integração de Portugal foi de inquestionável importância – a saída de Portugal
da União ou do Euro seria absolutamente desastrosa!
No entanto, também é evidente que a
Europa precisa hoje de um novo rumo e de um novo impulso reformista. Precisa,
sobretudo, de solidariedade entre Estados e entre Povos e de quem tenha uma
visão diferente para os dias que vivemos.
Precisa também de maior proximidade
entre eleitos e eleitores e foi importante, pela primeira vez, fazer depender a
liderança da Comissão Europeia do resultado democrático destas eleições e não de
qualquer acordo de bastidores, tendo havido um entendimento de que a sua
presidência
caberá a quem tiver uma maioria
parlamentar no Parlamento Europeu.
Angela Merkel, que tem dominado a seu
belo prazer os destinos da Europa com a conivência de uns e a fraqueza de
outros – a começar por Durão Barroso – deu uma entrevista recentemente e
insinuou que quem decide a Presidência da Comissão Europeia seria a Alemanha
independentemente dos resultados eleitorais.
Nada de pior podia ser dito ou feito!
Se houver esta tentação ou tentativa por parte do poder alemão, espero ver
todos os portugueses eleitos, sem excepção, a lutar para que assim não seja!