SAÚDE – Médicos unidos para apoiar formas de contestação ao Ministério da Saúde

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A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM)
mostrou-se ontem disponível para apoiar “todas as formas eficazes de contestação”
ao Ministério da Saúde, que “despreza” os profissionais da saúde.
O Ministério “não ouve as organizações dos
médicos nem quer ouvir”, criticou Carlos Cortes, presidente da SRCOM,
considerando que o ministro da Saúde, Paulo Macedo, “quer para ele todas as
decisões de saúde, sem
consultar” as ordens profissionais ou os
sindicatos. “Isto não pode continuar assim”, afirmou, referindo que
durante a semana serão realizadas reuniões de secções regionais da Ordem dos
Médicos e dos sindicatos para se decidirem “formas de contestação contra o
ministério”. Para o presidente da SRCOM, Paulo Macedo “decide mal e, em muitas
situações, acaba por se arrepender”. “Esse arrependimento é falso e, para nós,
não tem valor”, frisou, destacando que o ministro “não sabe o que é o setor da saúde”.
Exemplo disso, na perspetiva de Carlos Cortes, é
a recente portaria que pede “que médicos de Medicina Geral e Familiar exerçam competências
que são da responsabilidade de outra especialidade”, neste caso de Medicina do
Trabalho.
“Isto foi feito à revelia da Ordem e dos
sindicatos”, contou o presidente da secção regional, referindo que já foi
pedido um parecer aos Colégios da Especialidade de Saúde Pública, de Medicina Geral
e Familiar e de Medicina de Trabalho, e que irá ser elaborado um pedido de
revogação da mesma portaria.
Há também a questão da “reforma hospitalar, da
retirada de todas as competências da Ordem no internato médico”, dos
profissionais que “são empurrados para o estrangeiro” e, mais recentemente, a
proposta de um “Código de Ética da Saúde” – projeto de despacho elaborado pelo
ministério.
Este projeto simboliza “o desprezo” do
Ministério, que, com a proposta, “quer impor um silêncio” aos profissionais da
saúde, disse à Lusa Carlos Cortes. O documento refere que, “salvo quando se
encontrem mandatados para o efeito, os colaboradores e demais agentes da (nome
do serviço ou organismo) devem abster-se de emitir declarações públicas, por
sua iniciativa ou mediante solicitação de terceiros, nomeadamente quando possam
pôr em causa a imagem da (nome do serviço ou organismo), em especial fazendo
uso dos meios de comunicação social”.
O Conselho Nacional Executivo da Ordem dos
Médicos reúne-se na sexta-feira para decidir que “formas de contestação” serão
adotadas.



Fonte Lusa