ADELO 20 anos – Entrevista a Humberto de Oliveira

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Penacova é associado da AD ELO desde a sua criação, há 20 anos.
Qual é o segredo da longevidade desta associação? Que balanço faz do trabalho
realizado?
HUMBERTO OLIVEIRA O segredo da associação é o seu profissionalismo. Tem a ver com os
seus coordenadores, com os seus técnicos, com o apoio político dos órgãos sociais
nos últimos 20 anos. Todos têm permitido que esta associação
se tenha mantido activa e com um trabalho em prol do desenvolvimento local que
está acima da média face às suas congéneres no país.
Em que medida os projectos apoiados, através da AD ELO, têm sido
estratégicos para o desenvolvimento do concelho? Pode dar exemplos de alguns desses
projectos?
H.O. – Posso dar vários exemplos daquilo que tem sido
a responsabilidade de gerir o LEADER. São projectos que têm sido fundamentais e
estratégicos para um território como o nosso. Na questão do sector primário, no
apoio à agricultura e, no caso de Penacova, à micro agricultura. Mas também no turismo, no apoio às micro
empresas, à valorização do património e, não menos importante, o apoio que foi
possível dar às nossas associações. Necessitamos de desenvolvimento económico, é certo, mas precisamos das
condições mínimas para que as pessoas possam manter um bem estar social. E as
associações, embora estejam algo deslocadas do sector primário e da economia, são fundamentais para este
desenvolvimento. O melhor exemplo que posso dar em termos de projectos apoiados
é o dos Moinhos da Atalhada, que tem passado e futuro. Passado porque no primeiro LEADER o projecto foi
apresentado por uma associação, teve apoio e foi feita a requalificação. Tem
futuro porque neste momento temos uma candidatura em nome do Município de requalificação de mais moinhos. Esta
requalificação do património com aproveitamento para a economia é essencial.
Aproxima-se um novo Quadro Comunitário de Apoio. Que desafios
terá a AD ELO pela frente e qual é a sua importância para que o concelho venha
abeneficiar dos próximos fundos comunitários?
H.O. – Está a desenhar-se o novo programa comunitário
de apoio e os Grupos de Acção Local serão entidades gestoras do Desenvolvimento
Local de Base Comunitária, o que será um grande desafio para a AD ELO. O grande esforço a fazer é a
negociação dos valores. A quantidade pode não ser sinónimo de qualidade, é
verdade, e nós pretendemos cada vez mais qualidade. Mas é preciso estar atento
e temos de conseguir os valores coerentes com as nossas necessidades e também
com o histórico de execução da AD ELO. O Desenvolvimento Local de Base Comunitária, num território como o de
Penacova, é essencial
.
No que respeita ao concelho de Penacova, em que áreas este apoio
comunitário será fundamental?
H.O. – As linhas estratégicas deste programa foram
muito bem definidas para os municípios. A requalificação e valorização do
património natural e edificado permite-nos um grande conjunto de intervenções ainda
a fazer. O projecto europeu NEA2 – Náutica no Espaço Atlântico visou o
desenvolvimento sustentável e coordenado do conjunto da fileira náutica nas
regiões da faixa atlântica (actividades, portos de recreio, indústria, comércio
e serviços), através de um reforço de cooperação baseado em três eixos temáticos: o
desenvolvimento económico, a protecção do ambiente, a coesão social. De forma a
concretizar os objectivos definidos no projecto NEA2, a AD ELO realizou
inúmeras acções, de cariz transnacional e local, das quais se destaca a
construção de um exemplar da embarcação Barca Serrana do Rio
Mondego. Esta iniciativa para além de promover o desenvolvimento económico
local em torno da utilização desta embarcação tradicional como factor de
promoção da utilização turística do Rio Mondego, contribuiu ainda para a
preservação do património e registar para memória futura o saber-fazer que pode
ser transmitido às gerações mais jovens, para que as tradições, usos e costumes
dos nossos antepassados perdurem no tempo.

Reconversão dos Moinhos de Vento da S. da Atalhada
Este projecto, entre 1998 e 2002, consistiu na recuperação
de moinhos de vento, reconvertendo-os em unidades de alojamento, inseridas no
turismo em espaço rural, dando assim origem a um pequeno aldeamento turístico, o
qual contou também com a recuperação de um moinho tradicional e 
de um moinho museu. Esta primeira intervenção teve o
Centro de Convívio e Cultura de Zagalho e Vale do Conde como promotor.
Mais recentemente, no âmbito do Eixo 3 do PRODER LEADER AD
ELO, em 2013 foi aprovado um projecto promovido pelo Município de Penacova para
a recuperação dos moinhos da Serra da Atalhada. 

Este pedido de apoio, concentra
os esforços na recuperação dos quatro moinhos que pertencem à Câmara Municipal
de Penacova, e que são actualmente os únicos que não estão recuperados. A Serra
da Atalhada tem ainda 23 moinhos, e os que não são do Município pertencem a
particulares, que nos últimos anos têm vindo a ser recuperados pelos
particulares com o objectivo de habitação de turismo em espaço rural. 

O
objectivo é recuperar a arquitectura dos quatro moinhos, e num deles recriar
todo o sistema de moagem de cereal. Este moinho será uma espécie 
de museu vivo, o qual o Município irá integrar nos futuros
pacotes turísticos, que, em parceria com unidades hoteleiras, dará a conhecer o
património rural, histórico, cultural e gastronómico do Município de Penacova. Com
esta intervenção pretende-se dotar a Atalhada de novos atributos turísticos por
forma a tornar este espaço um ponto de paragem para turistas.
“NEA2
– Náutica do Espaço 
Atlântico
– Barca Serrana
  
O projecto europeu NEA2 – Náutica no Espaço Atlântico visou
o desenvolvimento sustentável e coordenado do conjunto da fileira náutica nas
regiões da faixa atlântica (actividades, portos de recreio, indústria, comércio
e serviços), através de um reforço de cooperação baseado em três eixos
temáticos: o desenvolvimento económico, a protecção do ambiente, a coesão social.
De forma a concretizar os objectivos definidos no projecto NEA2, a AD ELO
realizou inúmeras acções, de cariz transnacional e local, das quais se destaca
a construção de um exemplar da embarcação Barca Serrana do Rio Mondego. Esta iniciativa para além de
promover o desenvolvimento económico local em torno da utilização desta
embarcação tradicional como factor de promoção da utilização turística do Rio
Mondego, contribuiu ainda para a preservação do património e registar para memória
futura o saber-fazer que pode ser transmitido às gerações mais jovens, para que
as tradições, usos e costumes dos nossos antepassados perdurem no tempo.