SAÚDE – Mais de 173 mil pessoas receberam cheques-dentista desde Janeiro

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Mais de 173 mil pessoas já receberam cheques-dentista desde
Janeiro, com a maior fatia de beneficiários a ser a das crianças dos 7 aos 13
anos, segundo números oficiais da Ordem dos Médicos Dentistas. Nos primeiros
cinco meses do ano, 173.259 pessoas receberam cheques-dentista, com uma taxa de
utilização total a rondar os 65%, mas que varia dos 24% nos jovens de 15 anos
aos 85% nos doentes com VIH/sida.
Os principais beneficiários são as
crianças com 7, 10 e 13 anos das escolas públicas, que receberam já mais de 120
mil cheques para usar em tratamentos dentários em consultórios privados. Desde
o início do programa, em 2008, cerca de 1,9 milhões de utentes tiveram acesso a
cheques-dentista, com os quais foram realizados mais de 6,5 milhões de
tratamentos.
Este Programa Nacional de Promoção da
Saúde Oral abrange crianças e jovens que frequentam as escolas públicas aos 7,
10, 13 e 15 anos, bem como grávidas seguidas nos serviços públicos, idosos que
recebem o complemento solidário e portadores de VIH/sida. Desde o início do
programa, o número de beneficiários tem vindo sempre a aumentar, tendo superado
os 413 mil no ano passado, com mais de 633 mil cheques emitidos e 408 mil
efectivamente usados.
Segundo o bastonário da Ordem dos
Médicos Dentistas, os dados do programa mostram ainda que a severidade das
lesões tratadas tem vindo progressivamente a diminuir, o que vai ao encontro
dos objectivos. Cerca de 60% das intervenções realizadas correspondem a
procedimentos preventivos, como aplicação de selantes (protectores das fissuras
dos dentes contra a cárie dentária), com a incidência das cáries a apresentar
diminuições consideráveis nas crianças, “o principal alvo” do
programa.
A Ordem dos Médicos Dentistas
defende, contudo, que o programa seja alargado aos diabéticos, lembrando que é
um grupo com riscos adicionais para problemas de saúde oral. Para o bastonário,
Orlando Monteiro da Silva, na actual situação económica do país “deve ser
ponderado o alargamento do programa a grupos de risco adicionais, como os
diabéticos”. Para isso, Monteiro da Silva frisa ser necessário um
“aumento da dotação orçamental” do programa, recordando ainda que há
cerca de um milhão de diabéticos diagnosticados no país.
Apesar de a questão das verbas
necessários para alargar os cheques-dentista ser uma decisão do Ministério da
Saúde, o bastonário considera que se trata de “um investimento que permite
uma racionalização de custos”. “Há uma relação enorme entre diabetes
e saúde oral. A diabetes precisa de estar controlada para se ter uma boa saúde
oral e vice-versa. É preciso um bom controlo da saúde oral, principalmente ao
nível da gengiva e do osso, para que a diabetes não seja exacerbada”, explicou
à agência Lusa.
Recentemente, a Entidade Reguladora
da Saúde questionou a universalidade e equidade no acesso aos cheques-dentista,
lembrando que ficam de fora crianças que frequentam escolas privadas e grávidas
não seguidas nos serviços públicos. Actualmente, são 3305 os médicos dentistas
a colaborar com o programa, que chega a mais de 5500 clínicas e consultórios em
todo o país.