MIRO – Festa da Broa promete agitar a aldeia

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Na décima edição, a Festa da Broa transfigura-se e toma conta de toda a aldeia de Miro, Friúmes, Penacova. Este fim-de-semana vai ficar na memória.

Antes, montava-se o palco
e os vendedores perfilavam-se nos arredores. E assim se fazia a Festa da Broa,
uma iniciativa do Grupo de Solidariedade Social, Desportivo, Cultural e
Recreativo de Miro (GSSDCR). Todavia, na passagem da décima edição, a
organização decidiu inovar, quase revolucionar o figurino, e a experiência está
a correr da melhor forma, perspectivando uma mudança radical e para melhor.
«Queremos toda a gente
envolvida na festa», sublinha Manuel Nogueira, presidente do GSSDCR e, por
isso, o mote da festa é “Miro Com´Vida”. A venda de produtos mantém-se, mas há
muito mais para ver e viver na aldeia, que está empenhada em trazer para o
presente as memórias do passado, dar nova vida às tradições e, sobretudo,
promover uma grande festa em que «todos participem».
Por isso, a venda de
produtos vai “deambular” pela aldeia, à porta das casa e de porta em porta e em
cada rua vão viver-se e recriar-se momentos do quotidiano de outros tempos. Há
espaço para as crianças da escola jogarem à bola e «fugirem a correr quando
vêem que a professora se aproxima», pois significa que os “recolhe” e leva consigo
para a escola, «nem importa que seja domingo!».
Mas também de vislumbram conversas,
amenas, entre primos e primas. Uns preparam-se para ir regar os feijões e
outros para apanhar mato, destinado a preparar os “muretes” de carqueja,
destinados a Coimbra e à Figueira. Os cumprimentos amistosos depressa azedam,
com trocas de acusações por roubo do mato e juntam-se outros elementos da família
para um ajuste de contas onde, além da guerra das palavras, estalam bofetadas.
Trata-se da «teatralização
de um conjunto de cenas quotidianas», explica Manuel Nogueira, sublinhando que
esta é a grande aposta para a décima edição, no sentido de «dar mais vida à
festa», «envolvendo toda a população», mesmo aqueles que afiançam não ter jeito
para o teatro. A adesão, garante, «tem sido muito boa» e, inclusivamente, há
gente de «fora que se vem oferecer para colaborar».

Este reviver de memórias
começa hoje, a partir das 14h00. Nos fornos de lenha coze-se a broa, depois de,
num deambular pela aldeia, a mulher ter conseguido obter o “crescente” necessário
para “fermentar” a massa. No alambique, faz-se a aguardente e até será possível
assistir à confecção das compotas. Espalhadas pela aldeia, estão os vendedores,
com a broa, enchidos, compotas e licores. Não faltam as vendedoras do peixe e
de tremoços, que circulam de porta em porta, o rebanho de cabras a “passear” pela
aldeia, nem os badalos que os mais afoitos prometem colocar em diferentes
portas, motivando um forte ralhete dos proprietários.
Para as 16h00 está
prevista a chegada da barca com sal, uma tradição que «se perdeu na década de
50/60» do século passado, recorda Manuel Nogueira, 
lembrando que estas embarcações
«traziam o sal da Figueira, as faianças de Coimbra e, de regresso, levavam
lenha e carqueja para Coimbra e para a Figueira da Foz». Hoje «a barca não vem
da Figueira», cumprindo uma viagem bem mais curta, entre a Ponte, e Vale da
Corte, «mas o sal é da Figueira », garante, «e o salineiro também». À espera da
barca estão «as mulheres, com as gamelas à cabeça, preparadas para descarregar
o sal». O programa inclui, ainda, pelas 20h00, a recriação de uma “escamisada” ao
mesmo tempo que começa o baile, com o Grupo Original.
A festa continua amanhã, mais
uma vez com o objectivo de «interagir com as pessoas», transformando «os
espectadores em actores, elementos activos da festa». A partir das 14h00, continuam
a acender-se os fornos para cozer a broa e no alambique produz-se aguardente. Vendem-se
enchidos, broa, licores e compotas, ouvem-se pregões e cenas do quo tidiana, numa
tarde que conta com a participação de quatro ranchos folclóricos, que vão
dançar em plena ruas, desafiando a população a entrar na dança.
Nem a chuva pode estragar a festa
Vamos pôr a aldeia em alvoroço », afirma, com entusiasmo, Manuel
Nogueira, 
confiante no sucesso deste desafio que Miro protagoniza neste
fim-de-semana. A única preocupação é o tempo. «Espero que S. Pedro nos ajude»,
pede, sublinhando que, se a chuva também resolver juntar-se à festa, «teremos
de accionar o plano B», que significa desenvolver as actividades no refeitório
do complexo social. «Não será a mesma coisa», lamenta, prometendo que nem a
chuva vai impedir esta festa “Com´vida” em Miro.


«São mais de uma centena» as pessoas envolvidas na organização deste
evento, com um destaque especial, sublinha Manuel Nogueira, para o Rancho
Típico de Mira “Os Barqueiro do Mondego”, uma das valências do Grupo de
Solidariedade Social, Desportivo, Cultural e Recreativo de Miro. Também os
utentes, do lar e centro de dia, participam de forma activa, assumindo o papel
de “vendedores”. Os ranchos da Carapinheira, da Ribeira da Mata (Soure) e Infantil
e Juvenil da Ponte (Penacova), juntam-se à festa, na tarde de domingo.

Manuela Ventura – Diário de Coimbra

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