REGIÃO CENTRO – 75% de dotações inseguras em enfermagem refere Ordem dos Enfermeiros

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Na Região Centro 75 por cento dos serviços e instituições de saúde têm
dotações inseguras nos cuidados de enfermagem, profissionais insuficientes e outros
défices de funcionamento, revela a Ordem dos Enfermeiros (OE).

Esta conclusão é extraída das Visitas de Acompanhamento do Exercício
Profissional (VAEP) que a Secção Regional do Centro (SRC) tem vindo a realizar
em serviços de instituições públicas e privadas.

«Na generalidade não há instituições com dotações seguras. Claro que há
exceções, e dentro de uma instituição poderão haver serviços e unidades que
apresentam dotações seguras. É algo que está visível, que o Ministério sabe,
mas é algo que continua a não ser primordial.
Não se entende porquê, quando está em causa a população portuguesa e a
sua saúde”, afirma o Presidente do Conselho de Enfermagem Regional do Centro.
Segundo o Enf. Hélder Lourenço, as próprias administrações e direções das
instituições e serviços reconhecem essas lacunas e que, em última instância, as
tentativas para as minimizar esbarram no bloqueio do Ministério das Finanças.
Dotações Seguras é o tema de uma conferência a decorrer no próximo dia 18
em Coimbra, e que terá como orador convidado o Bastonário da OE, Enfº Germano
Couto. Enquadra-se num ciclo de conferências que a SRC realiza no Centro de
Portugal até janeiro de 2015.
A Ordem dos Enfermeiros aprovou em maio a Norma Para o Cálculo das
Dotações Seguras dos Cuidados de Enfermagem, que norteia o número adequado de
profissionais para cada serviço, de acordo com as intervenções que realiza.
Não é apenas o número de enfermeiros que será importante para determinar
a qualidade e a segurança dos cuidados em cada serviço, existem outros fatores
igualmente preponderantes, nomeadamente as condições de trabalho e a
organização dos serviços.
Realça ainda que o levantamento realizado pela SRC revela que as
organizações, sejam dos cuidados de saúde primários, sejam diferenciados, sejam
até da Rede Nacional dos Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), «muitas vezes
não levam em conta esse item» das Dotações Seguras.
«Estamos bastante aquém daquilo que é importante e que é considerado por
nós essencial e básico para que se prestem cuidados de saúde à população da
zona centro, com a qualidade mínima exigida para um cidadão, que a eles tem
direito», afirma.
Na sua perspetiva, o utente deve ser visto pelas instituições «como um
todo e não como alguém que está de passagem».
É importante que os enfermeiros tenham tempo para o acompanhamento
adequado dos seus utentes, para prevenir alguma «intercorrência que faça com
que rapidamente o cidadão regresse aos serviços de saúde porque o problema não
foi debelado», conclui o Presidente do Conselho de Enfermagem Regional do
Centro.
Em 2014 a SRC efetuou Visitas de Acompanhamento do Exercício Profissional
(VAEP) a 20 unidades em ACES (área dos cuidados primários), a 30 serviços em centros
hospitalares ou unidades locais de saúde (área dos cuidados diferenciados),
ainda 3 unidades da RNCCI e mais duas em unidades de saúde privadas da região.